A Ilha
de Vitória em fotografias do AGMV
Carvalho
(1999) afirma que as cidades e suas edificações sempre foram um tema constante
para os fotógrafos. Em relação ao uso feito por essas fotografias, ela afirma
que:
[...]
pode ser uma forma comprobatória da construção de monumentos arquitetônicos,
construídos por governantes ou personalidades beneméritas do patrimônio
público; ser utilizada para inventariar bens e manifestações culturais a fim de
‘preservá-los’ e difundi-los nacional e internacionalmente; ser uma
‘apropriação de locais nobres da cidade por uma parcela significativa da
população, despossuída, no seu cotidiano, deste contato; para se construir,
através da divulgação maciça de imagens, os símbolos a serem perpetuados;
enfim, para se eternizar a cidade, através dos ‘cartões-postais’ consagrados,
para as populações futuras. (CARVALHO, 1999, p. 63).
Por
serem objetos de estudo de profissionais de diversos campos do saber as cidades
são “analisadas de forma peculiar por cada um deles, [...]” e o significado
atribuído “à cidade é sempre em consonância com sua inserção e entendimento do
viver em cidade.” (CARVALHO, 1999, p. 64). A Fotografia 1 é do início do século
XX e mostra o Centro da capital capixaba.
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Fotografia 1: Vista do Centro de Vitoria 02.
Sem número de arquivo, sem data, sem identificação de autoria
Obs: de acordo com Willis Faria ("Histórico da Baía de Vitória") é de 1915.
Fonte: Arquivo Geral do Município de Vitória.
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As imagens fotográficas do
Arquivo Geral do Município de Vitória, ao longo do tempo, foram constituindo-se como um acervo
imagético no qual estão registradas importantes transformações ocorridas na
capital capixaba e mostram as intervenções na paisagem da cidade.
Klug (2009, p. 18-19) afirma que o relevo, o mar e as áreas de mangue tiveram uma grande importância na configuração da paisagem urbana e desenvolvimento da cidade de Vitória, funcionando ora como limites para o crescimento – o que circunscreveu uma cidade colonial que não mais se continha em si. Daí a necessidade de intervenções para a expansão da sua mancha urbana e conseqüentes alterações na sua paisagem, tomando do mar o que poderiam ser esses novos logradouros.
Embora
não tenham a data definida, as Fotografias 2, 3 e 4 ilustram bem a intervenção
feita na paisagem natural da Capital para a construção da Avenida Beira Mar. Não só áreas alagadas de mangue são tomadas, mas
também áreas de mar.
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Fotografia 2: Avenida Beira Mar antes do aterro.
Sem número de arquivo, sem data, sem identificação de autoria.
Fonte: Arquivo Geral do Município de Vitória
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Fotografia 3: Vista do Penedo; Avenida Beira Mar durante o Aterro; Curva do
Saldanha
Sem número de arquivo, sem data, sem identificação de autoria.
Fonte: Arquivo Geral do Município de Vitória
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Fotografia 4 : Avenida Beira Mar após o aterro. Curva do Saldanha, ao fundo, Porto
de Vitória.
Sem número de arquivo, sem data, sem identificação de autoria.
Fonte: Arquivo Geral do Município de Vitória
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Ainda de acordo com Klug (2009, p. 14), a adição da paisagem construída à paisagem natural está relacionada com a identidade local, com a memória coletiva e a imagem da cidade, pois o homem cria suas referências, constrói a memória coletiva a partir da percepção dos elementos naturais e construídos da paisagem da cidade, com suas particularidades e especificidades.
Referências:
Avenida
Beira Mar antes do aterro, Vitória, ES, s.d.
1 fotografia, p&b, 18 x 24 cm.
Avenida
Beira Mar após o aterro. Curva do Saldanha, ao fundo, Porto de Vitória,
Vitória, ES,
s.d. 1 fotografia, p&b, 18 x 24
cm.
CARVALHO, Telma
Campanha de. Fotografia e cidade:
São Paulo na década de 1930. Dissertação de Mestrado. São Paulo: Programa de
Estudos Pós-Graduados em História Social, PUC-SP, 1999.
KLUG, Letícia
Beccalli. Vitória: sítio físico e
paisagem. Vitória: EDUFES, 2009.
Vista
do Centro de Vitória 02, Vitória, ES, 1915? 1 fotografia, p&b, 18 x 24 cm.
Vista
do Penedo; Avenida Beira Mar durante o Aterro; Curva do Saldanha, Vitória, ES, s.d. 1 fotografia, p&b, 18 x 24 cm.