segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Digifoto e GPAF desejam feliz Ano Novo

Foto André Lopez - Parque Centenário Buenos Aires (2010)

So dnevi in trenutki
polni sreče in miline,
ko v radosti oči zapremo in si tiho zaželimo,
da ne mine.
Vesele novoletne 
Vam želi kolektiv Digifoto-GPAF!

Eis a foto original da mensagem do Arquivo Histórico de Ptuj (Eslovênia), motivadora do texto acima :
Magistrat Ptuj,1920

Outros links relacionados:

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Analise do tratamento arquivístico dado pelo APDF às fotografias sobre a reconstrução da história de Brasília.


A fotografia foi essencial no desenvolvimento do trabalho de reconstrução da história de Brasília realizado pelo Arquivo público do Distrito Federal (APDF), durante a comemoração dos cinqüenta anos da cidade. Um dos resultados foi a divulgação de diversas fotografias da capital federal, de diferentes períodos históricos. Dessa forma, a análise do tratamento dado a essas imagens pelo APDF é de grande importância para as pesquisas sobre acervos fotográficos e seu tratamento. Pretende-se com essa pesquisa analisar a metodologia e os instrumentos usados no tratamento de documentos imagéticos no APDF, através de consulta ao seu acervo de imagens. O foco não será a recuperação de conteúdos e nem as condições técnicas de preservação física, porém alocação dos documentos fotográficos em um esquema lógico capaz de manter seus vínculos orgânicos com o restante do fundo de um mesmo titular. 

Os arquivos imagéticos possuem características bastante específicas e por isso requerem um tratamento diferenciado, não apenas levando em conta a preservação física e sua descrição e sim a questão da contextualização do documento.
 “Tradicionalmente a organização de documentos imagéticos tende a valorizar a informação visual, relegando a um segundo plano o contexto de produção do documento. Tal conduta seria justificada pela dificuldade de recomposição dos motivos da produção documental. Os modelos elaborados geralmente partem das informações veiculadas pela imagem como referencial para a classificação e descrição, sem fazer, na verdade, qualquer tentativa de contextualização documental, em termos arquivísticos.” (LOPEZ e BORGES, 2009, p.161).
Atualmente, é quase impossível pensar em um arquivo que não possua imagens em seu acervo, nos últimos anos a produção documental tem aumentado consideravelmente e com os arquivos imagéticos não é diferente, principalmente com a facilidade trazida pelas fotografias digitais, que possibilitaram um aumento considerável na produção de imagens, dessa forma, o estudo e a necessidade de políticas específicas para tratar esses documentos são cada vez mais necessários.
“Não se tem notícia de que a fotografia digital tenha sido mal recebida. Percebe-se, ainda, certa resistência por parte de alguns profissionais e de alguns amadores, mas nenhuma pouca simpatia baudelaireana digna de nota. E nos acervos em breve teremos uma quantidade astronômica de fotos digitais para preservar” (MANINI, 2008)
As imagens digitais precisam de um tratamento que preserve suas características físicas de conservação, mas que não se esqueçam de mantê-los contextualizados, as imagens precisam assim como os demais documentos manter suas relações orgânicas, principalmente pela polissemia que possui como característica. Devido à necessidade de condições diferenciadas dos demais documentos em outros suportes, pode-se observar que grande parte das instituições arquivísticas isolam as fotografias do resto do acervo sem nenhum cuidado para manter seu contexto, dessa forma elas acabam perdendo seu vínculo arquivístico.
“Embora presentes na maioria dos arquivos públicos e privados institucionais e pessoais, e submetidas a tratamento de identificação, arranjo/classificação e descrição nesses espaços, vimos que as fotografias têm sido, no entanto, pouco problematizadas no que diz respeito às relações entre as suas características de registro visual e os atributos exigidos para a aferição de seu valor documental (LACERDA, 2008, p.76 )”
No Brasil é bem clara a falta de uma política de tratamento que respeite as relações orgânicas dos documentos imagéticos, que são tratados como se fossem alheios à lógica do arquivo, privilegiando a descrição de seu conteúdo, em detrimento de sua organicidade. O conhecimento do contexto de produção de qualquer tipo de documento, principalmente das imagens, é de fundamental importância.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Alguns softwares e plataformas web para registros imagéticos

Ao pensar em uma plataforma de arquivos para utilização no projeto “ Os Registros Imagéticos Como Estratégia de Comunicação e Sustentabilidade Cultural” ver link do projeto (acesse aqui),  iniciou-se uma pesquisa movida pela seguinte pergunta: Quais os tipos de softwares estão dispostos no mercado que atendam aos registros imagéticos e que abordem as normas nacionais e internacionais no qual sejam possíveis  a utilização pelas entidades culturais?

No entanto, foi pensado alguns requisitos para estes softwares e/ou plataformas:
- Ser open source;
- Possibilidade de utilização on line via WEB;
- A possibilidade tanto de uso inicial como conta/cliente Free;
- Poder fazer os testes e até adaptação para o uso específico na área dos registros imagéticos;
- Que tenham incorporados as normas arquivísticas nacionais e internacionais:
  • NOBRADE – Norma Brasileira de Descrição Arquivística
  • ISAD(G) – International Standard Archival Description
  • EAD – Encoded Archival Description
  • ISAAR – International Standard Archival Authorities Records (Corporate, Persons, Families).
Como resultado inicial podermos encontrar alguns softwares que contemplem alguns dos requisitos acima, um deles, o DIGITARQ é uma plataforma desenvolvida em conjunto pelo Arquivo Distrital do Porto, Direcção-Geral de Arquivos e Universidade do Minho, tem como objetivo a simplificação e optimização do trabalho num arquivo definitivo tanto ao nível operacional como ao nível da gestão.  Este, já estão sendo utilizados pelas autoridades Portuguesas através do PPA - Portal Português de Arquivo, no site, está sendo usado como plataforma de acesso web – tipo cliente/servidor, no entanto, através do site do DIGITARQ podemos conhecer um pouco de sua história e baixar uma versão monoposto. Ainda, há uma vantagem  de poder se utilizar de forma avançada e colaborativa. 

Agora, temos outro que é o SEPIADES, este, tem uma conotação mais voltada para registros imagéticos, pois os materiais fotográficos muitas vezes não são descritos em um nível em que as torne facilmente acessíveis aos usuários. Ainda, o interesse em coleções fotográficas também tem crescido nas últimas décadas e as coleções mantidas por bibliotecas, museus, arquivos e outras instituições de arquivo constituem um tesouro de informações sobre a história dos povos que precisam ser aberto para usuários e ser preservado para gerações futuras. Com isso, a digitalização dos materiais fotográficos em si é complexa, devido à grande variação de materiais e os diferentes requisitos dos usuários, e uma área em que poucas instituições ganharam experiência suficiente. É um software livre, desenvolvido pelo Instituto holandês dos serviços de informação científica (NIWI). Para conhecer o software SEPIADES e só acessar.  
Estes softwares já contam com uma série de artigos e tutorias publicados na internet que poderá auxiliar aos que tiverem interesse em conhecer   suas funcionalidades. Bem! Ainda estamos em fase inical de estudo das funcionalidades, assim que tivermos avançado traremos mais  informação sobre o DIGITARQ, SEPIADES e outros.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Sistemas informatizados de gestão arquivística de documentos imagéticos na administração pública: um caso para pensar



Termos como Digitalização e Gestão Eletrônica de Documentos (GED) popularizaram-se nos últimos anos como soluções para o problema das massas documentais acumuladas na Administração Pública. Sem intenção de discutir aqui os milhões investidos, diversos órgãos da Administração Pública, especialmente os Ministérios, passaram a desenvolver sistemas informatizados próprios, capazes de atender a demanda de controle de documentos e arquivos, outros, buscaram soluções de mercado, adquirindo sistemas desenvolvidos por empresas de softwares privadas.

Os Sistemas Informatizados de Gestão Arquivística de Documentos (SIGAD) que estão longe de, por si só, resolver os problemas das massas documentais acumuladas, muitas vezes não contemplam a gestão de documentos imagéticos, resultando em perdas significativas de informações em imagens, que registram a história e consolidam a memória das instituições públicas.

Os documentos imagéticos, muitas vezes, são tratados de forma dissociada dos demais, de modo a desconsiderar seus aspectos orgânicos, ou seja, há o esquecimento de que são parte de um conjunto e de que para serem de fato entendidos devem estar inter-relacionados aos demais e, em alguns casos, recebem o mesmo tratamento dado aos documentos bibliográficos.

E, porque um SIGAD não deveria contemplar os documentos imagéticos?

O gênero documental em questão possui algumas características específicas que tornam o trabalho relativamente novo para o profissional de Arquivo, que muitas vezes confunde a gestão com o tratamento meramente técnico de preservação e conservação.

Entretanto, a criação e implementação de sistemas informatizados capazes atender a demanda de busca, de preservação e de gestão de documentos imagéticos dependem da consolidação de normas e recomendações dos órgãos definidores da Política Nacional de Gestão de Arquivos.

Em 2006, o Conselho Nacional de Arquivos publicou o E-Arq Brasil como modelo de requisitos para implantação de SIGADs. Neste ano, foi publicada a última versão com os metadados. E os documentos imagéticos? Deveriam constar na recomendação do CONARQ? Um caso para pensar...

sábado, 11 de dezembro de 2010

Redes Sociais e Documentos Imagéticos: Marataízes

Foto do litoral de Marataízes. Autor: Odon Machado. s.d.

Sem entrar em detalhes, as redes sociais conquistaram os brasileiros. Primeiro foi o Orkut, seguido do Twitter e Facebook. Esse post tece alguns comentários sobre uma comunidade de pessoas que foi criada nessa última rede social, com um forte elemento aglutinador: a fotografia, ou, nos termos desse grupo de pesquisa, documentos imagéticos. Trata-se de representações simbólicas, históricas e afetivas de indivíduos que tiveram experiências vivenciais no balneário de Marataízes, litoral do Espírito Santo.

Redes sociais são, de acordo com Boyd e Ellison (2007), “[...] serviços baseados na Web que permitem aos indivíduos (1) construir um perfil público ou semi-público dentro de um sistema limitado (2) articular uma lista de outros usuários com quem eles compartilham uma conexão, e (3) ver e percorrer essas listas e outras feitas por demais pessoas dentro do mesmo sistema. A natureza e a nomenclatura dessas conexões podem variar de local para local”. Complementa-se essa definição, a comunicação mediada por computador.

Essa possibilidade de articulação fez com que, em outubro de 2010, uma dessas pessoas, o advogado Ronald Mignone, com uma história de vida profundamente ligada ao balneário, criasse-se, no Facebook, um grupo fechado denominado “Marataízes”, do qual só participam convidados. Ainda que possam existir casos semelhantes que desconheço, o crescimento do grupo apresenta algumas características essenciais: intensa participação dos membros, crescimento acelerado e comunicação mediada, quase que totalmente, por documentos imagéticos.

Quantitativamente, na data desse post, contabiliza-se 280 membros e 1.771 publicações. Dessas, 568 são de documentos imagéticos.

Por serem de livre postagem, tais documentos constituem uma coleção polissêmica, multifacetada e caleidoscópica, não organizada, cujos temas navegam das praias às construções históricas, fotos antigas de família, barcos, aviões, pescadores, catadores de mariscos e semelhantes, acidentes naturais (ressacas), bailes de carnaval, etc., tornando impossível citar todos aqui.

O volume de documentos e a quase total ausência de informações que os identifique levou o próprio criador do grupo a perguntar sobre a foto que ilustra o início desse post: “Eu vi essa foto maravilhosa postada aqui. De quem é?”. Por esse motivo e, considerando-se seu valor histórico e afetivo, muitos membros já perceberam e manifestaram a necessidade de organizar essa coleção, de forma que, estando os documentos imagéticos devidamente identificados e armazenados, possam ser facilmente recuperados. Outros vêem, inclusive, a possibilidade de que o acervo venha a fazer parte do museu do balneário.

Configura-se, portanto, uma oportunidade de dupla via, no meu entender. De um lado o interesse de algum membro do Grupo de Pesquisa em Acervos Fotográficos-GPAF assumir o encargo de construir cientificamente o acervo como projeto de pesquisa e, de outro, a contribuição que poderá ser feita aos membros do grupo no Facebook, ao balneário de Marataízes, seus habitantes, turistas, pesquisadores e admiradores.

Para tanto, acredito ser viável conseguir recursos, seja no âmbito das instituições/órgãos financiadores de pesquisa (federais, estaduais e municipais), bem como, do setor privado, através da Lei de Incentivo à Cultura, por exemplo.

Quem tiver interesse em conhecer, esclarecer dúvidas ou colaborar, favor entrar em contato com os Administradores do Grupo: Ronald Mignone (ronaldmignone@hotmail.com); Antônio Miranda (amb2miranda@hotmail.com); Ricardo Mignone (ricardo.mignone@gmail.com); Ivilisi Soares de Azevedo e Victor de Moura. Infelizmente, não possuo o e-mail dos dois últimos.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A imagem do rei


Quanto mais distante da população e de seus pares internacionais um governante se encontra mais necessário é a fixação de uma normatização visual que além de o identificar também o legitime como autoridade máxima. A brilhante sacada de Ettore Scola en "La nuit de Varennes", na qual a tirana é identificada por verossimilhança com o busto gravado em uma moeda, continua sendo muito utilizada, ainda hoje, em papel moeda. Mesmo no Brasil do século XXI, e em outros países, o expediente da "foto oficial", a ser colocada nas repartições públicas ajuda a cumprir as funções de aproximar, identificar e legitimar a pessoa do governante. Na Coréia do Norte tais funções expandem-se (ou voltam-se prioritariamente) para a comunidade externa. Do obscuro jogo político travado nos bastidores de um regime fechado muito pouco se sabe e, menos ainda, quem são os atores políticos principais e que feições têm. Antes mesmo do resultado final das eleições estadonidenses e antes da "foto oficial" de Obama, o mundo já conhecia o rosto do futuro govertante, ainda que a Sarah Palin tivesse sido vitoriosa. A "foto oficial" amplamente difundida pelo governo nortecoreano no mês passado (ver notícia aqui) revela a verdadeira face da monarquia familiar e apresenta para o exterior a nova composição dos principais cargos do regime. Se os egípcios, por medo do tempo que tudo deteriora, desenvolveram sofisticadas técnicas de preservação da imagem (e do próprio corpo) do governante, o mundo atual, da circulação em massa de informações pela Internet, quase que instantaneamente eternizou a cara de um regime que mal começou. Resta saber se no futuro tais informações imagéticas ainda estarão disponíveis e se serão corretamente identificadas. Não deverá ser mais difícil do que recompor o nariz da Esfínge de Gizé para identificar uma possível feição de Faraó.




quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Reunião aberta do GPAF

Copiado de Crane's inanities
Hoje, as14h00 o Grupo de Pesquisa Acervos Fotográficos (veja página aqui), fará uma reunião aberta, como parte das atividades do Workshop Internacional de Ciência da Informação 2010 (acesse blog aqui). A ocasião contará com a Professora Antonia Salvador Benitez, da Universidad Complutense de Madrid, como convidada, que além de proferir palestra, participará ativamente das discussões e da análise dos trabalhos de pesquisa que vêm sendo realizados pelos pesquisadores e alunos do GPAF.  A professora Antônia (ver ficha aqui), é autora, dentre outra publicações, de livro dedicado ao tema dos arquivos fotográficos. Acesse aqui a sinopse da obra.


fotos tiradas durante a palestra e publicadas no mesmo momento

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Documentos imagéticos


As múltiplas possibilidades de ocorrência da imagem, nos arquivos, nos fez optar pela denominação documentos imagéticos. Essa expressão propõe englobar as diversas categorias da imagem de modo mais amplo do que os termos fotografia, pintura, obras de arte etc. A rubrica iconografia foi descartada basicamente por este termo estar incomodamente associado (direta ou indiretamente) tanto às questões da imagem enquanto linguagem, como à identificação de conteúdos na imagem. O objeto central de nossas indagações é o documento de arquivo de gênero imagético, independentemente de suas implicações icônicas ou lingüísticas. 

Uma rubrica ligada primordialmente à imagem é conceitualmente mais operativa. Essa ampliação permite entender o diferencial dado pela dimensão imagética do documento de arquivo e as respectivas implicações quanto à percepção visual. A dimensão imagética não exclui, a priori a análise de conteúdo dos documentos do ponto de vista técnico, artístico, simbólico, histórico, cultural etc. Os estudos iconológicos de Panofsky, que tratam da questão da perspectiva são fundamentais para a discussão da fotografia. É justamente no conceito de documento que a representação imagética reproduzida acima impõe uma análise além da estética e da representação artística para levar em consideração os aspectos de produto cultural ligado à difusão editorial de obra literária. Arte, imagem e sociedade se imbricam na análise de documentos imagéticos de arquivo. 

A organização de documentos imagéticos de arquivo deve ir além da mera descrição técnica, posto que, muitas vezes, os conteúdos visuais estão inseridos em uma trama de relações bastante mais complexa do que "descritores" e tesauros. Sem nenhuma preocupação com as questões arquivísticas, o historiador da arte Jorge Coli lança essa semana um estudo sobre algumas das relações entre arte e sociedade, inserindo alguns documentos imagéticos (as obras de arte) em um contexto amplo de relações. Para aqueles interessados em melhor visualizar as obras analisadas pelo autor há uma galeria publica de imagens aqui


A sinopse da editora assim apresenta a obra:
  • Jorge Coli, professor titular da Universidade de Campinas e um dos grandes especialistas na arte do século XIX, revisita com originalidade as obras de mestres como Goya, David, Ingres, Manet, Courbet e pintores brasileiros como Pedro Américo e Almeida Jr. Com um olhar livre de esquemas teóricos prévios, atento sobretudo às próprias obras, o autor traça relações inesperadas entre arte, cultura e sociedade. A ideia que norteia seu percurso é a de liberdade do homem. Nas suas próprias palavras: “Todos os estudos aqui presentes trazem, como pressuposto ou como centro, aspectos da liberdade nas artes durante o século XIX – pública, política, coletiva, individual ou artística. Esta liberdade, una e múltipla, reveste-se de um vivido sensível, no qual o corpo, bem físico, é o protagonista”.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Alunas de Biblioteconomia fazem monografia ligada ao DigifotoWeb

Foto: Tiago Machado

Laila di Pietro e Nathalia Carvalho, que colaram grau como bachareis em Biblioteconomia em 11/11/2010, defenderam recentemente monografia sobre organização de documentos audivisuais e imagéticos. O trabalho teve a orientação de Marcílio de Brito e André Lopez e buscou conciliar o instrumental biblioteconômico da recuperação e sistematização da informação de conteúdos com as bases da organicidade arquivística. O trabalho se vale dos referenciais teóricos da diplomática, desenvolvidos por Luciana Duranti e aplicados por Rosa Vasconcelos (2009) no caso específico da TV Senado. 

Acesse aqui a monografia "Organização de documentos audiovisuais e imagéticos: uma abordagem em diplomática e tipologia documental" que tem o seguinte resumo:
O estudo desenvolvido propõe a organização de documentos não-convencionais, a saber, audiovisuais e imagéticos, com base nas teorias da Diplomática e Tipologia Documental, para um maior aprofundamento no conhecimento do objeto de armazenamento de um Sistema de Informação. O tratamento do documento através de conceitos arquivísticos propõe uma nova abordagem de estruturação de sistemas para a organização da informação dentro de uma instituição. O estudo sobre Diplomática seguiu a teoria de Luciana Duranti, explicada por diversos autores. A formulação de campos de análise teve como modelo a análise tipológica e diplomática realizada por Vasconcelos (2009) em documentos audiovisuais do Senado Federal. A análise realizada neste trabalho permitiu a adaptação dos campos utilizados para descrição de documentos para vídeos e fotografias, além da proposta de inclusão do conceito de organização baseada nas características arquivísticas e bibliotecárias na estruturação de SIs e nas instituições que possuem acervos não-convencionais. 

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Documento imagético integrado em outros documentos


A imagem, enquanto elemento integrante de outros documentos, não pode ter sua classificação dissociada; nestes casos, a imagem não existe enquanto unidade documental. O que pode — e deve — ser feito é tão-somente a separação física, devidamente referenciada, em função da conservação. A descrição arquivística, mesmo que feita em um nível de minúcia individualizada, deverá ater-se ao documento maior, de cujo conteúdo a imagem é apenas parte. Isso não exclui a possibilidade de uma referenciação parcial, baseada apenas no conteúdo das imagens, o que representaria uma atividade à parte da classificação arquivística — e complementar para a organização documental —, inexistindo, na classificação, quaisquer procedimentos diferenciados quanto aos documentos imagéticos.

Exemplos de documento imagético integrado em outros documentos 
  • O acervo do Archivo General de la Guerra Civil Española foi constituído sob um direcionamento temático, reunindo materiais relacionados à Guerra Civil Espanhola. O acervo composto inicialmente por documentos do exército — resultantes da repressão franquista à maçonaria e aos comunistas —, foi ampliado com a aquisição de documentos e coleções particulares ligados ao tema central, com destaque para conjuntos de documentos fotográficos. Os positivos fotográficos constantes de processos viram-se, em um primeiro momento, separados fisicamente para fins de conservação e, posteriormente, tiveram sua descrição agregada a dos demais documentos fotográficos daquela instituição, referentes à Guerra Civil. O diferencial, neste caso, é que os positivos só foram separados dos processos após a elaboração de um plano de classificação. Fichas de referenciação foram inseridas no local original de tais imagens, nos processos, remetendo à sua nova localização física. As imagens foram submetidas à uma descrição detalhada, pautada pelas normas da Isad (g), que incorporou informações sobre a origem arquivística dos documentos dos quais foram separadas, tanto no plano de classificação, como no processo inicial. Tais informações estão cruzadas em uma base de dados, juntamente com referências a outras imagens de fundos e coleções distintas (cf. DESANTES, 1996).
  • Uma situação similar também pode ser vista no Archivo del Reino de Galícia com relação aos documentos cartográficos (mapas, plantas e desenhos), que tiveram sua referenciação anotada em um catálogo seletivo, agregando informações relativas a diversos fundos e coleções, porém indicando plenamente a situação de cada conjunto documental nos respectivos planos de classificação (cf. ARCHIVO DEL REINO DE GALICIA, 1995).

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Emenda aqui, remenda ali.. EURECA: O Plano de Classificação!


"A aplicação dos princípios de respeito aos fundos e o de ordem original incide diretamente sobre a função classificação" (SOUSA, 2003, p. 242).

"O objeto da Tipologia é a lógica orgânica dos conjuntos documentais" (BELLOTTO, 2002, p. 8)

Considerando as afirmações dos autores acima citados pergunta-se porque a Tipologia documental é estranha ao Plano de Classificação proposto pela Resolução nº 14 do Conarq, visto que tratam de um objeto bastante comum e de demasiada importância: a organicidade? A problemática é ainda mais grave ao pensarmos em documentos imagéticos devido a sua maior subjetividade em relação ao conteúdo. Porque conteúdo? Por que este é o principal critério de agrupamento dos níveis de classificação que a Resolução 14 apresenta.

Reza a lenda: "uma imagem vale mais que mil palavras". Apesar da base empírica e popular da afirmação, ela resume diversos aspectos técnicos do documento imagético, àqueles voltados à sua subjetividade. Ora, se é a apreensão do conteúdo que guia a classificação, como isso se faz quando o documento é composto por uma imagem? Quão precisa é a interpretação do conteúdo da imagem de forma a representar a sua lógica orgânica? Será que somente a compreensão do conteúdo satisfaz essa necessidade?

Para apenas vislumbrarmos de longe a resposta do problema, me arrisco resumir a situação em duas frases apenas: "Porque se classifica um documento? Para representar sistematicamente sua organicidade"

A extrema objetividade dada a esta resposta é válida para pensar-se em uma visão minimalista, pela qual não se deve excluir conceitos mais especializados. Com base nessa abreviação geral podemos apontar o queria o mínimo em relação as necessidades de um Plano de Classificação. Façamos uma análise isolada do conceito em relação a Resolução 14.

Quanto a Representação:
Resumidamente temos, de acordo com a Resolução 14, o conteúdo ou assunto, como separador de águas: o principal critério que diz o que é o documento e o motivo de sua guarda. O principal problema encontra-se aqui, posto que não somente o conteúdo deveria ser considerado, mas também (e principalmente) a tipologia documental. Todo o trâmite do documento deveria ser representado. São diversos os exemplos de documentos que em têm configuração e conteúdo idênticos, mas que cumpriram funções diferentes, representam atividades diferentes e são guardados por motivos diferentes. Supomos que isso seja ainda mais comum em relação a documentos imagéticos.

Quanto ao Sistema:
Trata-se daquele velho discurso, já quase retórico, de que o sistema decimal adotado pela Resolução 14 é um dos principais limitadores do instrumento além de despertar aquele sentimento de arremedo dos métodos biblioteconômicos de classificação com emendas.

Quanto a Organicidade:
Esta, para ser bem compreendida, depende basicamente da soma dos dois fatores anteriores.

Por fim, para ilustrar um exemplo de arranjo (ou classificação) que considere a tematização como foco principal, propomos que seja analisada a organização do acervo do musicólogo Curt Lange, indagando se houve, realmente, a representação da organicidade dos documentos. Acesse aqui texto da equipe responsável pela atividade, e dê atenção especial ao plano da página 6. Observe ainda a série "Iconografia" e responda se a representação de fotografias isoladas das atividades que as geraram, representa melhor a organicidade ou apenas aguça a curiosidade?

Acesse aqui site do Projeto Curt Lange

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Será que a preservação técnica de fotografias é suficiente para a organização arquivística?



"Histórias e memórias institucionais captadas a partir do estudo de acervos fotográficos" é um artigo de Luciana Souza de Brito que fala sobre o tratamento do acervo fotográfico do Centro Universitário Franciscano, que desde o início foi acumulado.

O tratamento constitui no diagnóstico do acervo, higienização, identificação, organização e acondicionamento. No diagnóstico foram coletadas informações como: o formato e o quantitativo das imagens, a identificação dos processos fotográficos, as dimensões predominantes, as características das deterioração das imagens, as formas de acondicionamento, informações sobre o mobiliário e a localização do acervo. Então, procuraram reunir os conjuntos documentais que se tratavam de um mesmo evento e/ou assunto.

Na higienização foram feitas atividades de ordem física e química, como por exemplo a aplicação de pó de borracha no verso das fotos, trincha e algodão sobre a emulsão. No momento da identificação eles perceberam que grande parte do acervo não possuía informações sobre a origem, autoria, evento ou data da produção da fotografia. Então eles fizeram várias pesquisas em documentos textuais e conversaram com funcionários, professores e ex-alunos para identificar essas fotografias.

A organização das fotografias consistiu na separação dos assuntos. Foi considerado o fundo Centro Universitário Franciscano e dois grandes grupos, as faculdades. As faculdades foram separadas por séries, os conjuntos documentais: autoridades, prédios, setores administrativos, comemorações e eventos, solenidades, estudantes, lembranças e irmãs.

O acondicionamento foi feito em folders e envelopes de papel alcalino, caixas-arquivo de cartão neutro e armário.

Perfeito, não é mesmo? Desta forma as fotografias ficaram muito bem protegidas e, na maioria das vezes, poderão ser localizadas quando o usuário souber o evento ou assunto da fotografia.

Tudo bem, mas e quando a pesquisa for feita por um usuário que quer descobrir quais são as fotografias guardadas para uma finalidade específica, como poderão fazer essa identificação se todas foram misturadas e organizadas por evento? A identificação e organização desses documentos deveriam ter sido feitas considerando a ordem que anteriormente eram mantidas e assim estudar o contexto de criação e separação. Esta metodologia de análise iconológica poderia ter sido feita a fim de ajudar a descobrir a origem da aquisição das fotografias. É muito importe que se mantenha a ordem original dos documentos, principalmente no caso de documentos imagéticos, porque se não identificado o contexto de criação esses documentos podem perder a função para que foi criada.

domingo, 26 de setembro de 2010

Os registros imagéticos como estratégia de comunicação e sustentabilbilidade cultural

Projeto!

Elaborar projetos seria uma situação em que poderemos dizer felizmente ou infelizmente daqueles que se aventuram? Então vejamos! Em todas as áreas hoje é comum se falar em projetos, na academia há projetos de pesquisa e de iniciação científica; nos empreendimentos  empresarias, os projetos de novos negócios, na construção civil, na Arquitetura, na cultura  o teatro, os festivais de música, carnaval, quadrilhas juninas, cinema e nas áreas Ambientais com educação ambiental e preservação do meio ambiente. Nas áreas sociais de desenvolvimento regional nas comunidades, etc. O que podemos perceber, é que em qualquer uma destas áreas, os projetos tem algo em comum, “a necessidade de recursos e investimentos, ou seja, recursos financeiros, humanos, materiais e tecnologias”. Assim, apresento o meu projeto de pesquisa, o qual buscará tratar das necessidades de conhecimentos para estruturação de registros imagéticos que possam dar suporte para sustentabilidade,  na comunicação e elaboração de projetos de captação de recursos para instituições culturais (Escola de samba e Grupo de quadrilha junina). Acesse o Projeto aqui.

 
Contudo, em qualquer projeto temos os ajustes;  definições e as redefinições, ou seja, neste projeto não foi diferente, o que estou disponibilizando é uma versão aprimorada da que foi utilizada no processo de seleção. A trajetória de todo o projeto antes dessa versão, pode ser acessada pelo meu blog.

Assim, podemos deduzir que felizmente para aqueles que se aventuram  elaborar um projeto, pois a elaboração do projeto é  um  caminho de aprimoramento constante, principalmente quando se fala de  ajustes,  nesta fase é onde podemos fazer as adquações para realização da pesquisa ou de qualquer empreendimento.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Fahrenheit 451: uma sociedade com registros sem textos


O clássico livro de Ray Bradbury, de 1951, depois transformado em filme por François Truffaut, em 1966, além de mostrar uma sociedade futurista, na qual os livros são proibidos, vai mais além ao eliminar por completo os registros textuais daquela sociedade. Algumas poucas passagens do filme, sutilmente,  mostram documentos administrativos e revistas com total ausência de elementos textuais. 


Arquivisticamente falando, será que é possível construir todo o registro administrativo das organizações, do Estado e da memória social sem textos? Para além da óbvia resposta negativa é importante refletir como as imagens, poderosas ferramentas da construção identitária, podem, em alguns casos serem a melhor opção possível para comunicar uma informação (como por exemplo nos cartões de segurança das aeronaves) ou mesmo para registrar um fato e produzir provas a partir dele (como por exemplo as multas de trânsito, "flagradas" por radares). 

A reilitura do livro e o retorno ao filme podem ser atividades interessantes para a rediscussão das articulações entre texto e imagem, sob a ótica dos meios de comunicação e, principalmente, no caso dos arquivos, dos registros administrativos, como ilustram alguns fotogramas extraídos do filme de Truffaut. 

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Documentos administrativos imagéticos com atributos estéticos

Copiado de Instituto de Biologia Roberto Alcantara Gomes
Olhe atentamente para essa imagem. O que será que ela representa? Uma flor? Um miolo de um girassol? Sim. Mas como documento imagético, qual teria sido a função que estaria por detrás de sua produção? Em resposta a quais necessidades administrativas ele teria sido preservado? A identificação de uma sequência numérica especial reproduzida nos padrões dos estames é uma informação relevante porém tampouco nos dá maiores informações sobre a produção de tal informação imagética.
Copiado de Galeria do projeto Biocenas na Faperj

 


Somente o contexto de sua produção administrativa, que no caso dos documentos imagéticos, costumam não estar presentes no próprio documento, é capaz de responder às importantes questões que nos levarão a entender os porquês da existência, preservação e eventual uso da informação. A dissociação da informação imagética em relação às informações administrativas é o que permite que registros fotográficos feitos para atender demandas de uma pesquisa científica tenham sido objeto de uma exposição, que selecionou as imagens em função de atributos estéticos. Nesse caso não se trata da reciclagem da informação imagética de um documento administrativo para uma informação estética, uma vez que as imagens já foram geradas com essa dupla finalidade.
Copiado de matéria sobre o projeto Biocenas na Faperf 
Mais fotos podem ser encontradas na página do projeto aqui.

Leia notícia no boletim da FAPERJ aqui.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Fotografia ou documento fotográfico?


O termo fotografia está ligado, sobretudo, a uma técnica de sensibilização foto-química. Assim, um registro fotográfico não é, a priori, do gênero imagético (ou visual), existindo casos de reproduções fotográficas de textos, como o microfilme. A conceituação da fotografia enquanto técnica a desqualificaria tanto como espécie, quanto como suporte (papel fotográfico, diacetato, negativo de vidro etc.).

A espécie documental é considerada como a “configuração que assume um documento de acordo com a disposição e a natureza das informações nele contidas” (Cf. DICIONÁRIO de terminologia arquivística, 1996). Por falta de uma denominação melhor, podemos considerar documento fotográfico, definido pela utilização da técnica fotográfica associada ao gênero imagético, como uma espécie documental. A definição de tal espécie pressupõe que a imagem fotográfica seja a única informação presente no documento. Assim, os cartões postais, por exemplo, constituirão uma outra espécie, a despeito de, geralmente, trazerem uma imagem fotográfica impressa na frente.

A forma corresponde ao “estágio de preparação e transmissão de documentos” (Cf. DICIONÁRIO de terminologia arquivística,1996). As várias fases da espécie documento fotográfico correspondem a etapas distintas da mesma informação ao longo do trâmite, definindo, portanto, formas. Assim, tendo como referência os documentos finais — aptos a produzir conseqüências —, pode-se identificar, preliminarmente, no documento fotográfico, as seguintes formas:
  • Positivo final: é, por excelência, o documento final; pode ser obtido tanto pela captação direta da luz emitida pela cena real (daguerreótipo, polaroid, diapositivos) como por intermédio de um negativo ou de recursos digitais.
  • Negativo fotográfico: intermediário entre a cena e a imagem final, possibilita tanto uma escolha dos materiais a serem transformados em positivos, como utilizações posteriores e múltiplas da mesma imagem em documentos distintos. Deixa de existir na fotografia digital.
  • Positivo instrumental de contato: produzido a partir de negativos de pequeno formato, apenas para permitir uma visualização mais precisa da imagem. Costuma ser feito tanto por instituições de guarda de acervos fotográficos — destinados à escolha dos positivos ampliados a serem consultados (os documentos finais) —, como por fotógrafos e agências de notícias — para a seleção das imagens a serem reproduzidas, as quais se tornarão documentos finais. É substituído por visualizadores de baixa resolução ou de tipo thumbnail para as imagens digitais.
A utilização da imagem fotográfica em outros documentos (postais, livros, jornais, cartazes, camisetas etc.) supõe a definição de outras espécies e formas documentais, onde a informação fotográfica imagética entra como um componente. A confecção de matrizes, fotolitos etc., destinados a cópia de imagens para outros materiais também cria novas formas documentais.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Nuvem de tags do DigifotoWeb


Um das novas tecnologias de representação da informação é a nuvem de tags, que hierarquiza a frequência dos termos mais utilizados como representações visuais. Existem vários métodos de exibição e confecção das nuvens. As melhores buscarão ter mais efetividade quanto à precisão da representação gráfica das palavras. 

A construção acima visou apenas criar um interessante efeito estético, que permite, com representações textuais, discutir as fronteiras entre escrita e imagem e representa uma varredura do neste blog, com alguns ajustes absolutamente arbitrários. Ela foi construída a partir de uma dica de Carlos Duarte Jr. em seu blog de pesquisa. A ferramenta on-line indicada permite escolha de cores, de quantidade de palavras, de orientação do texto, de exclusão de palavras irrelevantes etc. 

Acesse aqui o blog "Métodos linguísticos na descoberta de conhecimento em texto", e conheça um pouco mais sobre essa técnica além de poder brincar com o editor de tags e sentir-se um meio poeta concreto... 

domingo, 1 de agosto de 2010

A importância do formato no documento fotográfico



O termo "fotografia" é extremamente genérico e indica muito mais uma técnica de obtenção e reprodução de informações visuais do que uma espécie documental. A importância do documento físico vai além da questão técnica da fixação e preservação da informação. Muitos projetos de digitalização estão sendo realizados como vistas a substituir o contato com o objeto original, para a uma melhor preservação. Até aí tudo bem. O problema ocorre quando se entende, equivocadamente, que a cópia digital é capaz de preservar todos os atributos informativos do documento original. Esse raciocínio, felizmente costuma não generalizar a eficácia dessa técnica aos documentos de valor museal, nos quais o objeto físico, por sua aura, supera em importância a informação imagética. Mas e os documentos imagéticos de arquivo? Seriam eles passíveis de substituição por clones digitais sem perda relevante de informação documental?

É sempre importante alertar que em um documento fotográfico, diplomaticamente falando, tanto o suporte como o formato são cruciais. A digitalização tão somente reproduz a informação visual. com significante perda do valor informativo do documento, como ocorre a imagem que ilustra este post. A eliminação do suporte, como variável informativa relevante, a partir da reprodução de imagens, muitas vezes persegue, sem se dar conta, a quimera do mítico objeto bidimensional, ao entender que "imagem + suporte físico = imagem digitalizada". Seguidores de tal falácia acabam por inserir nos planos de classificação arquivísitcos os nada específicos "objetos tri-dimensionais", como se uma simples folha manuscrita de papel não fosse nem objeto e nem tridimensional. Com esse modo de proceder os documentalistas serão condenados a passar o resto da existência como o lenhador de Borges, procurando o mítico disco de Odin, caído de cabeça para baixo. (Leia aqui o conto "El disco" de Jorge Luis Borges). 

A imagem acima, se pensada bidimensionalmente representaria, no âmbito da análise pré-iconográfica de Panofsky, mísseis disparados de uma aeronave de guerra destinados a um alvo distante e à frente. A dimensão dela como objeto tridimensional, flexível, cuja largura deve ser do tamanho de um poste, nos passa uma mensagem completamente oposta:


Somente com a disposição circular da informação visual é que o documento passa a ter sua mensagem compreendida. Nesse caso, é a imagem que propicia a atribuição de sentido ao elemento textual: "what goes around comes around". Este cartaz, junto com mais outros três, perfazem um kit de propaganda pacifista contrária a invasão estadunidense ao Iraque:





Acesse aqui blog com as fotos com o "efeito bumerangue" desses cartazes.

sábado, 24 de julho de 2010

Falsificação de imagens suja (mais ainda) a barra da BP


A gigante petrolífera britânica, responsável pelo maior desastre ambiental, provocado pelo Homem, já registrado nos EUA (a matança de índios e bisontes, e a desertificação do Meio-Oeste não foram registrados como desastres) tentou, através das imagens, reverter um pouco do desgaste que vem sofrendo junto à opinião pública. Divulgou documento fotográfico que, supostamente, representaria três de seus engenheiros monitorando o vazamento do poço de petróleo em dez super telas. 

O poder das imagens é bastante curioso nesse caso. Em primeiro lugar tenta-se passar a ideia de que as imagens exibidas nas telas e o acompanhamento delas por 3 pessoas não identificadas demonstrariam efetivos esforços para a contenção do vazamento de óleo. De algum modo isso remete à tradição das imagens da igreja católica, na qual os esforços de profunda concentração espiritual defronte à estátuas e pinturas sagradas permitiriam que tais objetos representacionais intercedessem junto ao representado para que Este realizasse à vontade do fiel. De modo análogo as pessoas defronte às telas acompanham atentamente o desenrolar da tragédia ambiental "torcendo" incansavelmente para que ela cesse. Se a crise se agrava no mundo profano a Igreja tenta providenciar mais imagens santas. Se o vazamento de óleo não é estancado a BP, por meio dos recursos do photoshop, providencia mais monitores com imagens para aumentar a sacralidade de seus esforços.

A condição mística de certas imagens dependem de sua certificação. Assim, uma imagem de caráter religioso esculpida por um artesão popular desconhecido e vendida em uma feira turística terá menos efeito místico do que uma feita por algum artista já validado pela igreja e reconhecido como tal. Um pôster estático valerá menos do que uma imagem em movimento e esta, se for em tempo real, terá sua eficiência redobrada. A tentativa da BP de aumentar o número de telas em operação não garante que:
  • as pessoas na sala estivessem olhando para os monitores ou, de algum modo utilizando aquelas informações;
  • fossem imagens relacionadas ao vazamento do poço de petróleo;
  • os dados tivessem alguma utilidade;
  • representassem dados em tempo real.
Mesmo assim, a BP acreditou no poder de convencimento que tais imagens poderiam ter e pôs, toscamente, o photoshop em ação em uma arriscada (e desesperada) jogada de marketing. Confiou, cegamente, no poder que as imagens exercem sobre as pessoas. A BP errou ao não considerar que hoje, a despeito, do enorme poder que as imagens têm nos imaginários atuais, elas perderam a sacralidade e, como objetos profanos foram imediatamente dissecadas por infiéis que gritaram em uníssono:
- O rei está nu!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Equipe Digifoto contemplada com iniciações científicas


Saiu hoje o resultado do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PROIC-UnB) e o projeto Digifotoweb teve seus 4 pedidos contemplados. Os alunos, 3 voluntários e 1 remunerado, se dedicarão a estudar diferentes aspectos relativos às questões presentes nos documentos imagéticos de arquivo. A ampliação da equipe também representa a efetivação de uma abordagem interdisciplinar com uma pesquisa ligada ao curso de Engenharia de Redes, que procurar trazer contribuições da TI para o projeto. Cada um dos planos de trabalho se complementa aos demais e todos se interligam com o Digifoto, como bem esquematiza a imagem acima.

Baixe aqui o projeto "Analise do tratamento arquivístico dado pelo Arquivo Público do Distrito Federal às fotografias sobre a reconstrução da história de Brasília" (Kelly Pontes).

Baixe aqui o projeto "Análise dos efeitos da aplicação da Resolução 14 do CONARQ em documentos imagéticos de arquivo, no Arquivo Público do Distrito Federal" (Pedro Carvalho).

Baixe aqui o projeto "Panorama arquivístico do tratamento de documentos imagéticos de arquivo pelo Instituto Euvaldo Lodi" (Marcella Gonçalves).

Baixe aqui o projeto "Migração da base DIGIFOTO para ambiente web em MySQL" (Matheus Silva). 

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Espanha é campeã da copa 2010... Espanha?



A imagem acima provavelmente passou desapercebida do espectador brasileiro, porém, certamente, foi muito bem notada pelos espanhóis, principalmente pelos catalães. A bandeira da Catalunya e a taça,  empunhadas pelo jogador Puyol têm um efeito simbólico muito grande no complexo cenário dos imaginários nacionais da Espanha. A imagem, como informação, pode ser portadora de uma carga simbólica muito forte. Tais imagens-símbolos costumam ser reproduzidas em inúmeros documentos na tentativa de afirmação dos ideais nelas identificados. 

É importante que ao lidar com documentos imagéticos sejamos capazes de diferenciar as imagens (informação) dos documentos que as contém. Na reprodução acima temos várias imagens, mais abstratas, ou menos, porém nenhuma concreta e, de algum modo conflitantes: a vitória (representada pela taça), a Catalunya (representada por sua bandeira), a Espanha (representada por seu jogador) etc. Para tantas imagens (que valem mais do que 1.000 palavras) temos apenas um documento: este post, fruto de meu interesse acadêmico. Um documento com texto e imagem articuladas. 

A imagem, como informação independente de um documento pode ter múltiplos desdobramentos e influências. Podem ser mentais, podem impulsionar "imaginários" políticos e podem ser incorporadas a suportes, constituindo documentos para que tenham maior funcionalidade. A imagem de Puyol com a copa e a bandeira catalã provavelmente será transposta para posteres, camisetas, blogs etc. Longe dos debates, ao menos para mim fica a satisfação de ver que o melhor futebol triunfou.


Mesmo antes da decisão (e antes da comemoração de Puyol) alguns jornais brasileiros já apontavam a tensa relação Espanha-Catalunya no plano simbólico da copa do mundo, com alguns desdobramentos nada simbólicos (veja aqui reportagem do Correio Braziliense). Algumas imagens desempenharam papel crucial no estabelecimento, manutenção ou desarticulação de ordens políticas e sociais, como nos mostra o livro de Tomás Pérez Vejo sobre as guerras de independência ocorridas na América espanhola. Será que a forte imagem do jogador catalão terá maiores desdobramentos, no plano simbólico, no acirrado e histórico embate do nacionalismo espanhol? 

sábado, 10 de julho de 2010

A importância do contexto de produção e a reciclagem de informações visuais


O presente documento é um recorte de jornal que integra o acervo pessoal do Sr. Emiliano de Andrade.  Encontra-se em sua carteira junto aos documentos de identificação pessoal —Cédula de Identidade, Carteira Nacional de Habilitação, Cadastro de Pessoa Física etc.—, ao lado de outros de natureza afetiva, como retratos da esposa, do neto etc.  O recorte — enquanto documento do Sr. Emiliano — é único, apesar da informação veiculada (a imagem) apresentar-se como uma reciclagem.  Na realidade, o documento de interesse para o historiador do período pós-64 é a matéria do jornal, associada à imagem que a acompanha, e não o recorte do Sr. Emiliano, a despeito deste trazer uma imagem tecnicamente idêntica.  A importância da notícia enquanto fato jornalístico — foi a primeira manifestação pró-anistia feita por uma torcida de futebol, por uma das grandes torcidas brasileiras — costuma desvincular-se da função exercida pelo documento nas atividades do titular do acervo.  



A mesma imagem serviu para a criação de documentos diferentes, com funções e titularidades diversas.  A imagem da torcida do Corinthians representa uma informação que foi reproduzida em diferentes documentos desde sua criação até a reprodução do recorte neste trabalho.  Em cada um desses momentos, a informação primária permanece constante; a imagem em si mantém-se praticamente inalterada, salvo algumas modificações em sua resolução gráfica.  No entanto, em cada caso ela integra um novo documento, com funções e titularidades diferenciadas (o que é o mais significativo para a contextualização documental).  Apresenta também mudanças no suporte documental (negativo, positivo, fotolito, papel-jornal, disco magnético, papel alcalino), na técnica de reprodução (fotografia, impressão gráfica, impressão computadorizada) e na espécie documental que configura.  

A tabela adiante exemplifica as transformações ocorridas na imagem, do ponto de vista do contexto documental:

Tabela 1 – Diferentes contextos da imagem da torcida de futebol
Fonte: LOPEZ, 2003, p.79

A reciclagem da informação promovida pela utilização posterior do documento não deve ser confundida com a função para a qual ele foi produzido.  Deste modo, a partir do momento em que um banco de imagens recontextualiza a imagem do recorte de acordo com os interesses de seus pesquisadores, ele está produzindo, na realidade, um novo documento, ao invés de apenas estar disponibilizando uma informação de um fundo privado para os consulentes.

Esse exemplo ilustra que os conteúdos informativos de documentos arquivísticos (pessoais, ou não) quando descolados do contexto de produção podem permitir múltiplas interpretações.  No entanto, a redescoberta do sentido original para o titular do acervo apenas será possível se a teoria e os princípios arquivísticos se mantiverem intactos, re-compondo a ordem original  da produção arquivística.

Devemos estar atentos, ainda, para o fato de que o documento de arquivo é produzido em série, justamente por ser fruto de atividades administrativas rotineiras de seu produtor e preservado como prova de tais atividades.  O documento de arquivo, além de ser definido através de seu contexto de produção, não apresentará a informação de modo isolado, porém correlacionada aos outros documentos da mesma espécie, criados no exercício das mesmas funções.  Tais documentos, mesmo sendo diferentes em suas individualidades, por se referirem a informações específicas, são similares no formato e no papel desempenhado no cumprimento das atividades do seu produtor.  O documento de arquivo se relaciona ainda com outros, de outras espécies documentais, que lhe serão complementares, pois foram criados pela mesma atividade administrativa.  

O verdadeiro desafio dos arquivos pessoais consiste em identificar as inter-relações entre as atividades do titular e os documentos por ele produzidos/acumulados. Consiste em, a despeito da presença do instigante tema da campanha da anistia, centralizar os esforços em compreender as atividades do titular: a militância política do Sr. Emiliano.  Tais desafios, por conta da possibilidade de guarda corrompida dos acervos pessoais, somada à organização documental sempre posterior à morte do titular fazem dos arquivos pessoais um universo muito delicado do ponto de vista da arquivologia.  Somente a árdua recomposição do contexto de produção documental (que muitas vezes se afasta completamente da informação primária do documento) é capaz de dotar tais acervos de significado arquivístico, resgatando a organicidade inicial dos documentos. 

terça-feira, 29 de junho de 2010

Mesa-redonda sobre grupo de pesquisa

O grupo  Acervos Fotográficos se reunirá nesta 5ª, às 14:00, no auditório da FCI, para conversar com os alunos da disciplina de Metodologia de Pesquisa do Programa de pós-graduação em Ciência da Informação da UnB sobre a articulação de pesquisadores em grupos de pesquisa. A mesa-redonda, coordenada por Darcilene Sena Rezende, contará com contribuições de Telma Campanha de Carvalho, Aline Lopes de Lacerda e André Porto Ancona Lopez. Cada pesquisador procurará apontar brevemente os principais aspectos de suas pesquisas e as respectivas articulações com a Ciência da Informação e os ambientes institucionais nos quais vêm sendo desenvolvidas. A atividade tem como objetivo apresentar aos alunos o funcionamento interno de um grupo de pesquisa com vistas ao debate sobre a institucionalização da ciência no Brasil e um de seus mecanismos de sistematização.

A atividade é aberta a todos os interessados. Prestigie!

Convite - Defesa de dissertação

Nesta 5ªf ,às 9:00, no auditório da FCI, será a defesa da dissertação de Edna de Souza Carvalho, integrante do grupo de pesquisa Acervos Fotográficos intitulada Impacto da gestão de documentos no processo de produção digital da TV Senado. A candidata será inquirida por Aline Lopes Lacerda (Fiocruz-RJ) e Renato Tarciso Barbosa de Souza (PPGCINF-UnB) sob a presidência de André Porto Ancona Lopez (orientador). A autora assim resume o trabalho:

"O advento da digitalização aponta para inúmeras mudanças tanto nos instrumentos de trabalho, quanto nas formas de transmissão da programação das emissoras de televisão. O ciclo de produção prevê o tráfego digital de imagens e conteúdos, sem a utilização de mídias – padrão tapeless – impondo a existência de um processo de trabalho capaz de interligar rotinas de produção, distribuição, transmissão e arquivamento. Rousseau e Couture (1998) destacam que a introdução progressiva da tecnologia eletrônica transforma o modo como as instituições funcionam relativamente a métodos de criação e de recepção, de utilização, de conservação, de orientação e de eliminação da informação e dos documentos de arquivos. Nesse cenário os produtores de conteúdo terão que executar atividades de gestão de documentos para trabalharem com eficácia. Este estudo analisa a gestão de documentos audiovisuais digitais como uma das etapas do processo de produção em emissoras de televisão em ambiente digital, a partir do estudo de caso da TV Senado".

Assistir a defesas de teses e dissertação é uma atividade recomendável não apenas para o interessado no tema, porém para qualquer aluno de pós-graduação, que passa a entender melhor a sistemática acadêmica do evento, já se prepara para a própria defesa, prestigia um colega em um momento tão importante, além de perceber que uma banca de defesa não é um tribunal inquisitorial:

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O poder das imagens


Na excelente partida de hoje a Argentina bateu o México por 3x1. O lance curioso, do ponto de vista das imagens ocorreu no 1º gol argentino, marcado como lance legal e depois visto como impedimento do atacante Tevez. Erros de arbitragem são comuns (mais do que se gostaria) e perdoáveis (muito mais do que se deveria), posto que os juízes são seres humanos, sujeitos a erros de interpretação, muitas vezes provocados por fatores conjunturais como a velocidade do lance, posicionamento na jogada etc. O curioso deste lance é que logo após o gol o atacante argentino olha para o bandeirinha, e este último inicia sua corrida em direção ao meio campo, validando o gol. O juiz hesita um momento e depois valida o gol, já em meio às comemorações argentinas. A equipe do México fica imóvel e não reclama de nada (quem cala, consente). Passados alguns instantes surge no telão do estádio a animação que revela a ilegalidade do lance. O fato não passa desapercebido do bandeirinha, que chama o árbitro, e nem da equipe do México que, agora, passa a reclamar de algo que, momentos antes havia sido percebido por eles apenas como um lance normal de jogo. 

Saindo da análise futebolística o episódio é marcante pois indica como a imagem, que nada mais era do que a representação de um momento da realidade, passou a ser mais importante do que a experimentação da realidade ocorrida momentos antes pela equipe mexicana. Uma simples imagem deu novo significado a um fato que já havia sido consumado. Para que isso fosse possível para milhões de pessoas ao redor do mundo simultaneamente a crença nos atributos técnicos e na precisão do aparato fotográfico utilizado teve que ser inquestionável. Mais do que isso, a crença na neutralidade da manipulação gráfica, que produziu uma zona de sombras e marcou, com suposta precisão, o momento exato do lance, teve que ser, igualmente unânime. Tal unanimidade foi responsável pela mudança de atitude da equipe do México, que de resignada passou a se sentir injustiçada e do bandeirinha que chamou o juiz para tentar reverter sua decisão. Os narradores do jogo (que nada comentaram sobre a irrgularidade antes de verem a animação gráfica) e os espectadores também passam a ressignificar o fato (reveja o lance aqui). A simples crença na precisão da imagem televisiva (e no aparato que a produz) é insuficiente para que o fato seja aceito como real pelos espectadores. Somente a animação computadorizada nos devolve a fé na realidade transmitida via satélite, posto que a imagem por si mesma nos é (mesmo com narração) ainda muito polissêmica. 

Nos documentos imagéticos de arquivo tal polissemia somente é eliminada pelo contexto de produção documental, que deverá estar presente nas ferramentas de gestão e organização documental. Com certeza, nesse exato momento, uma cópia de tais imagens já devem ter sido anexadas ao processo de análise técnica do desempenho do trio de arbitragem a ser feito pela comissão de arbitragem da FIFA. O próprio processo, por ser um documento administrativo, buscará eliminar a polissemia e as imagens estarão acompanhadas, não apenas da animação gráfica, de outros elementos, em sua maioria textuais, que não apenas promoverão outra significação do fato, mas que ainda darão algum tipo de encaminhamento administrativo. Nos arquivos da comissão disciplinar, mais importante do que saber o significado de tais imagens é registrar, de modo inequívoco e preciso, as ações administrativas deste órgão, subsidiadas, ou não, por imagens. Elas, como parte integrante de um documento maior, jamais poderão ser, em termos lógicos, desmembradas em função de qualquer interesse de pesquisa.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Documento fotográfico de arquivo ou coleção em instituição arquivística?


O hábito de tentar entender o conteúdo da imagem antes do contexto de produção arquivística pode levar a um grave mal entendido sobre a natureza dos documentos, com desdobramentos na organização técnica. A imagem acima, do Arquivo Nacional de Malta representa uma coleção de cópias digitais, recentemente doada pelo neto do fotógrafo. Como documento de arquivo, o documento fotográfico original pertenceria ao arquivo pessoal do fotógrafo, que, visitou Malta diversas vezes, em serviço, associado a alguma função relacionada a registros de viagem, ou algo similar. 

Hoje, no Arquivo de Malta, a imagem compõe uma coleção fotográfica, que tem buscado a colaboração de internautas para melhor contextualizar historicamente a cena e melhor entender o conteúdo da imagem. Se você for cadastrado no Facebook basta clicar aqui.

O procedimento não seria adequado no caso de um documento arquivístico, que deveria, em primeiro lugar, buscar informações sobre o contexto de produção e a função desempenhada no fundo de seu titular. Como não é mais o caso, o documento fotográfico perde importância para a informação histórica, evidenciada pelo registro imagético e o tratamento por conteúdo, típico das coleções, é totalmente adequado.

No Brasil, infelizmente, o que costuma se verificar é a infrutífera tentativa de dar tratamento arquivístico a fotografias de coleção, já descontextualizadas arquivísticamente, confundindo, em tal proceder, autoria intelectual com titularidade arquivística e potencialidade de uso histórico e cultural da informação visual com função arquivística.