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terça-feira, 10 de setembro de 2013

Imágenes de la resistencia: uma memória social revelada pelo arquivo pessoal de Juan Carlos Cáceres

Fonte: Imágenes de la Resistencia
A imagem acima foi copiada do site Imágenes de la Resistencia (acesse) e faz parte do bloco de fotografias de "protestos populares", um dos diversos álbuns que compilam mais de 3.000 fotografias produzidas durante o regime militar no Chile.

Cáceres, estudante da Universidad Católica de Chile, por curiosidade, ousadia ou visão, agarrou sua máquina fotográfica e produziu um importantíssimo acervo imagético, que imortalizam os atores civis e militares dos longos 17 anos da ditadura chilena. 

O golpe de estado de 1973 deu início ao regime autoritário de Pinochet, que se manteve através das ações do Dirección de Inteligencia Nacional, a DINA, e da aliança político-militar, idealizada pelo Chile, entre os países da América Latina e seus respectivos governos militares, a Operação Condor. Essas e diversas outras iniciativas tornaram possíveis os atos de detenção, tortura, execução e desaparecimento de pessoas. Essa postura de governo contradiz com toda e qualquer determinação de direito do ser humano.

Além da importância inegável das fotografias de Cáceres, a necessidade humana, social e individual de recordar o passado e tentar reparar os danos causados às vítimas e familiares, faz com que seu valor seja imensurável. A organização e descrição do acervo, a última, acredito, realizada pelo próprio fotógrafo, nos permite identificar elementos da fotografia que seriam perdidos caso esse trabalho nunca fosse realizado.

Como exemplo, a fotografia escolhida para esse post, foi titulada por Cáceres:
“En la Plaza de la Constitución fueron exhibidos los autos de los escoltas de Pinochet después que intentaran asesinarlo miembros del FPMR en el Cajon del Maipo.”
Também datada de 9 de setembro de 1986, a fotografia estaria completamente perdida e descontextualizada se chegasse às mãos de alguém que não esteve presente no momento e, pior ainda, se não conhecesse profundamente a história da ditadura chilena. Muito menos saberíamos, hoje, a data exata do documento. 

Juán Carlos Cáceres, conscientemente ou não, nos deixa um arquivo repleto de valor e significado, o que não seria possível sem a preocupação do fotógrafo em recuperar o sentido de suas obras por meio de suas características fundamentais, e proporcionar seu acesso. O projeto se explica:
“Imágenes de la resistencia es un testimonio visual de cómo los actores sociales, en todas sus dimensiones, las figuras políticas de la época, los grupos armados, la resistencia popular, las manifestaciones estudiantiles, todo el cuerpo social contrario al Régimen Militar, fue capaz de aunar sus fuerzas en post de establecer una democracia en nuestro país.”

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Registro regional da memória do Mundo da UNESCO

Copiado de Biblioteca Pública Piloto 

Marta Lucía Giraldo
Programa de Archivología  - Universidad de Antioquia

El pasado mes de noviembre fue dada a conocer la feliz noticia que indica que el Archivo Fotográfico de la Biblioteca Pública Piloto de Medellín, Colombia, ha sido incluido en el Registro Regional de Memoria del Mundo de la UNESCO. El proyecto denominado La memoria en imágenes: Archivo Fotográfico de Medellín para América Latina y el Caribe, fue elegido por el Comité Regional para América Latina y El Caribe (MOWLAC - Memory of theWorld Regional Committee for Latin America and the Caribbean UNESCO ). Este comité regional tiene como tarea velar porel cumplimiento de los objetivos del Programa Memoria del Mundo: 
[…] asegurar la preservación, por los medios más apropiados, de la herencia documental que tiene significado mundial y fomentar la preservación del Patrimonio Documental de importancia nacional y regional […] lograr la concienciación en los Estados Miembros de su herencia documental, en particular, aspectos de ese patrimonio que sean significativos en términos de una memoria mundial común. […] desarrollar productos basados en esta herencia documental y ponerlos a disposición para una amplia distribución, asegurándose que los originales se mantengan en las mejores condiciones posibles de conservación y seguridad. 
Memoria y legado visual de nuestra época, el acervo fotográfico de la Biblioteca Pública Piloto (véase acá) cuenta con un millón setecientas mil imágenes, en distintos formatos y soportes, que datan desde el año 1848 hasta el 2005.Es reconocido como uno de los archivos más importantes en patrimonio fotográfico de Latinoamérica. Está integrado por varias colecciones que han sido adquiridas mediante donación o compra. La adquisición y conservación de estos materiales ha sido posible gracias al apoyo del Estado colombiano y de algunas empresas privadas que se han vinculado al proyecto. 

Actualmente, el archivo cuenta con 18.000 imágenes digitalizadas disponibles a través del sitio Web www.bibliotecapiloto.gov.co. Las imágenes están protegidas por la ley colombiana sobre derechos de autor(Ley 23 de 1982) y demás normas nacionales e internacionales concordantes en la materia. 

Confiamos en que este reconocimiento, que muy merecidamente ha ganado el Archivo Fotográfico de la Biblioteca Pública Piloto, contribuya a la preservación y difusión de este patrimonio y, sobre todo, que sirva de modelo para crear conciencia de la necesidad de salvaguardar nuestro patrimonio documental.


Recebido para publicação em 06/dez/2012

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Pegadas de luz


O Instituto Mora da Cidade do México está disponibilizando o site do projeto "Huellas de Luz", em uma processo ainda em construção, com vistas, não apena à difusão de acervos e da pesquisa, mas também para receber comentários, críticas e sugestões. Trata-se de um repositório de fotografias que buscou mesclar na organização elementos relacionados à história social (quanto a escolha das coleções e sua descrição temática) e à arquivologia (na classificação hierarquizada e na descrição inspirada pela ISAD-g). O projeto é um desdobramento de projeto anterior, "Fototeca Digital", que visa consolidar o acesso via Web em um único ambiente virtual.
  • Aceda ao site "Huellas de Luz", clicando aqui e opine neste blog.
  • Veja ainda post anterior sobre a Fototeca Digital neste blog

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Semelhanças de estilo e organização da informação

 
              foto 1: copiada de Library of Congress;                          foto 2: copiada de Digifotoweb

Ao olhar atentamente para as imagens acima é possível notar alguma equivalência na composição: um elemento no primeiro plano que tem a orla do mar e o horizonte como pano de fundo, criando uma certa ambiguidade quanto ao tema principal que pode ser tanto o mar como a canoa ou o cão. Águas calmas e céu enevoado com luminosidade difusa também são elementos comuns em ambas imagens. 

Não é necessário ser especialista em história da fotografia - e nem ter acesso aos documentos físicos originais - para compreender que as semelhanças param por aí e que há uma distância de cerca de 100 anos entre os dois registros fotográficos. O hábito de retratar orlas marinhas, no entanto, é anterior à própria invenção da fotografia e cria um estilo pictórico que sobrevive ainda hoje. Panofsky, entre outros estudiosos trabalharam com muito mais profundidade essa questão e ela não está no foco da análise atual. 

A organização de coleções fotográficas, como é tradicional - e até mesmo esperado - buscará dar a ambas as fotos o mesmo tratamento informacional; isto é: criar pontos de acesso à informação por autoria (fotógrafo), data, assunto, técnica e coleção. No primeiro caso, como se trata de instituição bem estruturada e com recursos, além dos mencionados pontos de acesso a informação está sistematizada em uma ficha no formato MARC. O segundo caso, com recursos adequados, também poderia ter o mesmo tratamento. 

Somente quem tiver uma perspectiva arquivística saberá que essas outras equivalências também param por aí e que o conhecimento detalhado e preciso de todas as informações mencionadas acima é insuficiente para a compreensão de tais registros como resultantes de atividades de um titular e preservados como provas desse mesmo titular. 

No primeiro caso, a ficha catalográfica da Library of Congress é incapaz de indicar os objetivos que levaram Arnold Genthe a fotografar aquela cena e tampouco os motivos que o fizeram querer guardar documento(s) resultante(s) de tal ato. Assumimos que sempre se tratou de uma tomada estética e que sua preservação relaciona-se à preservação de um objeto de arte. 

No segundo caso há, como conheço pessoalmente o fotógrafo pode-se imaginar que tais informações estão mais bem sistematizadas; ledo engano: apenas posso supor que Niraldo Nascimento produziu a imagem em uma atividade de lazer e a preservou (do ponto de vista arquivístico) como registro de um passeio a Marataízes, mas não posso afirmar isso com certeza e tampouco sei se é plausível entender que o documento original seja realmente arquivístico.

A diferença fundamental não está no conteúdo, no histórico e nem no tratamento dado ao documento original. O exemplo em questão traz ainda outra particularidade, que é a reciclagem de uma mesma informação, produzindo outro documento. A foto 2, nessa acepção, não deve ser entendida como uma foto da coleção/arquivo de Niraldo Nascimento, porém como parte da informação do próprio Digifotoweb, posto que ela é integrante de um texto publicado neste blog (e agora é integrante de dois textos). Essa perspectiva muda absolutamente tudo: não se trata mais da foto de Nascimento, o documento a ser organizado e descrito é o post. Arquivisticamente ele é parte do projeto Digifotoweb e está relacionado à função de promoção de esforços para consolidação de redes de pesquisa relacionadas aos acervos fotográficos. A autoria da informação imagética e os direitos quanto à imagem permanecem inalienáveis com  Niraldo Nascimento, mas o post, ainda que escrito também, pelo mesmo autor da fotografia, é produto do Digifotoweb. Ele é também, sob a ótica de quem o escreveu, ao mesmo tempo, produção intelectual e registros dessa mesma produção (pode até ser elencado no Lattes). 

Esse post atual, que traz a reprodução das fotos de Genthe e de Nascimento, mesmo sem ter os direitos autorais delas, deve ser entendido como resultado do projeto Digifotoweb, não sendo arquivisticamente adequado desmembrar partes de um documento (o post) em função dos elementos imagéticos constituintes.

Fica ainda repassada a dica do Prof. Murilo Bastos, que impulsionou essa reflexão: a Library of Congress mantém disponível a maior parte da coleção fotográfica de Arnold Genthe. São cerca de 16.000 imagens, de um total de 20.000, sendo que muitas delas podem ser baixadas gratuitamente: http://www.loc.gov/pictures/
collection/agc

terça-feira, 24 de maio de 2011

A modernização da gestão de documentos imagéticos: o caso da Agência Nacional de Águas

Copiado de Lei & Ordem


Recebi um e-mail na semana passada com o seguinte assunto: Modernização do Arquivo. O e-mail tratava da aquisição de novos arquivos deslizantes para o Arquivo Central do órgão em que trabalho. Fiquei pensando o porquê de terem colocado no assunto o termo “modernização” e não apenas “aquisição/compra de deslizantes”. Talvez porque a palavra modernização nos remetesse a algo que é novo, seria o processo de modernizar, adaptar-se aos usos e costumes modernos. Soa bonito.

Pensando na modernização da gestão de documentos imagéticos, veio à mente um sistema informatizado que contemplasse, de acordo com o E-arq Brasil:

1. A Recuperação de imagens;
2. A Aplicação do plano de classificação;
3. O Controle sobre os prazos de guarda e destinação;
4. O Armazenamento seguro;
5. Procedimentos confiáveis e autênticos;
6. A Garantia de acesso e preservação de documentos imagéticos digitais e não digitais.

Busquei, para minha pesquisa, alguns órgãos públicos que tivessem sistemas informatizados e transmitissem esse ideal de “modernidade”, foi quando conheci a Agência Nacional de Águas (ANA).

Criada em 2000, a ANA vem sendo reconhecida como "CASE" em gestão documental, principalmente com relação ao Sistema Informatizado de Gestão Arquivística de Documentos (SIGAD) em uso na agência.

A ANA trabalha com dois módulos de um mesmo SIGAD, um basicamente para documentos textuais/convencionais e outro para fotográficos, que é um banco de imagens composto pelo acervo fotográfico das atividades desenvolvidas na Agência desde a sua criação.

No site, disponível para o público externo, é possível visualizar algumas informações das fotografias. Para o público interno, os metadados são mais completos, constando classificação arquivística, local de arquivamento e outros.

O que me chamou atenção foi a divisão, em dois módulos, de uma mesma atividade: gestão arquivística informatizada.

Quando falamos em gestão informatizada de documentos imagéticos, um banco de imagem e um SIGAD podem ter características em comum, mas será que representariam a mesma coisa? A princípio, um banco de imagens poderia ser considerado um serviço onde é possível obter imagens ou fotografias para fins diversos: publicidade, trabalhos acadêmicos, jornalisticos e outros. Por outro lado, o e-arq define SIGAD como sendo "o conjunto de procedimentos e operações técnicas característico do sistema de gestão arquivística de documentos, processado por computador".

Para melhor ilustrar a discussão sobre o que deveria ou não constar em um SIGAD, usarei uma frase que ouvi hoje de um analista de TI no ECM ROAD SHOW: "deve ser inserido em um sistema informatizado qualquer coisa, em qualquer mídia, desde que seja útil".

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Digifoto e GPAF desejam feliz Ano Novo

Foto André Lopez - Parque Centenário Buenos Aires (2010)

So dnevi in trenutki
polni sreče in miline,
ko v radosti oči zapremo in si tiho zaželimo,
da ne mine.
Vesele novoletne 
Vam želi kolektiv Digifoto-GPAF!

Eis a foto original da mensagem do Arquivo Histórico de Ptuj (Eslovênia), motivadora do texto acima :
Magistrat Ptuj,1920

Outros links relacionados:

terça-feira, 22 de junho de 2010

Documento fotográfico de arquivo ou coleção em instituição arquivística?


O hábito de tentar entender o conteúdo da imagem antes do contexto de produção arquivística pode levar a um grave mal entendido sobre a natureza dos documentos, com desdobramentos na organização técnica. A imagem acima, do Arquivo Nacional de Malta representa uma coleção de cópias digitais, recentemente doada pelo neto do fotógrafo. Como documento de arquivo, o documento fotográfico original pertenceria ao arquivo pessoal do fotógrafo, que, visitou Malta diversas vezes, em serviço, associado a alguma função relacionada a registros de viagem, ou algo similar. 

Hoje, no Arquivo de Malta, a imagem compõe uma coleção fotográfica, que tem buscado a colaboração de internautas para melhor contextualizar historicamente a cena e melhor entender o conteúdo da imagem. Se você for cadastrado no Facebook basta clicar aqui.

O procedimento não seria adequado no caso de um documento arquivístico, que deveria, em primeiro lugar, buscar informações sobre o contexto de produção e a função desempenhada no fundo de seu titular. Como não é mais o caso, o documento fotográfico perde importância para a informação histórica, evidenciada pelo registro imagético e o tratamento por conteúdo, típico das coleções, é totalmente adequado.

No Brasil, infelizmente, o que costuma se verificar é a infrutífera tentativa de dar tratamento arquivístico a fotografias de coleção, já descontextualizadas arquivísticamente, confundindo, em tal proceder, autoria intelectual com titularidade arquivística e potencialidade de uso histórico e cultural da informação visual com função arquivística.

sábado, 29 de maio de 2010

Solução da charada fotográfica


Em 04/05/2010 foi feita uma charada fotográfica (ver post aqui), as respostas, pouco a pouco foram decifrando o partes do desafio, mas sem lograr a solução integral.

O documento faz parte da coleção de postais do Zgodovinski arhiv na Ptuju (ZAP - Arquivo Histórico de Ptuj), na Eslovênia. um arquivo regional. Acesse aqui texto em inglês sobre o Arquivo de Ptuj. A página do do ZAP traz informações importantes sobre a instituição, bem como acesso a alguns documentos, além dos principais instrumentos de pesquisa disponíveis para o consulente. Acesse aqui a página do arquivo de Ptuj. Está em esloveno, mas tem interface em inglês. O google translator apresenta resultados razoáveis nesse caso.

O pequeno país, do tamanho de Sergipe, tem uma cultura arquivística maior do que o nosso país-continente, com 6 arquivos regionais integrados ao Arquivo Nacional. Ptuj é uma cidade que concentra grande parte do patrimônio histórico, sediando o principal um museu histórico histórico do país. Guardadas as devidas proporções. pode-se dizer que é uma espécie de Ouro Preto (MG), no sentido de ser uma pequena cidade com grande e significativo patrimônio histórico nacional. Acesse aqui fotos do coordenador do Digifoto em  Ptuj.


Tradução da ficha
  • Signatura: SI ZAP 219/126 identificação: sigla do páis, sigla da instituição, nº do conjunto, nº do item
  • Kraj: Ptuj local
  • Tematike: Veduta SV smer tema: vista desde o lado nordeste
  • Opis razglednice: Pogled na Ptuj s severne smeri oz. iz smeri Ljudskega vrta. Napis: Pettau, vom Volksgarten aus gesehen. descrição do cartão postal: vista de Ptuj desde o lado norte na direção do Jardim Público
  • Leto: 1899 ano
  • Založnik: Wilhelm Blanke, Ptuj editor
  • Tehnika izdelave: Črno-beli tisk na osnovi fotografije. técnica de fixação: P&B impresso em base fotográfica
  • Format razglednice: 14 x 9 cm dimensões do cartão postal
  • Naslovnik: Mitzi Simonič, Wien destinatário: Mitzi Simonič, Viena
  • Besedilo: texto
  • Žig: Ohranjen vendar je prelepljen z lepenko. selo: fixado junto com o papel (baixo relevo)
  • Znamka: Verjetno je pod lepenko. marca: provavelmente sob o cartão
  • Opomba: Na hrbtni strani razglednice na desni strani sta nalepljena dva majhna kosa lepenke (en prekriva žig). obs: no verso, no lado direito, existem dois pedaços de papel colados (um cobre o carimbo)

Itens da charada
a) tipo de instituição: arquivo;
b) tipo de conjunto: coleção;
c) espécie: cartão postal;
d) 1i > 1000 p?: se fosse verdade a charada não teria sentido, não haveria necessidade de ficha descritiva e assim por diante; é importante ter a dimensão de que a descrição exaustiva dos conteúdos da imagem (agora em vias de automatização, mesmo que parcial) não dará, jamais, as informações de contexto arquivístico do documento fotográfico: qual o titular e quais os motivos (arquivísticos) de sua produção;
e) pertinência da ficha: nesse caso é adequada. Por ser uma coleção, a ficha deve estar limitada às informações de conteúdo e de características técnicas somente. O problema, que infelizmente é comum em instituições arquivísticas brasileira, é utilizar fichas similares para documentação arquivística, relegando a organicidade.

Aguarde pela próxima. Será de perder a cabeça....

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Fototeca Digital Fotógrafos y Editores Franceses en México

A coleção digital feita pela equipe de pesquisadores do Instituto Mora representa uma tentativa muito interessante de montagem de um repositório fotográfico que, além das imagens e suas descrições temáticas trata ainda dados relativos aos forográfos e aos históricos de cada coleção. A descrição e a organização das informações segue, no que é possível, as diretrizes da ISAD-g. O tradicional resumo da imagem é abandonado e, em lugar dele, entram dados técnicos e uma miniatura fotográfica. Como se tratam de coleções, os dados relativos ao contexto de produção arquivístico não são sistematicamente evidenciados e, quando é o caso, são indicados no histórico do conjunto. Outro ponto bastante importante na solução mexicana foi a decomposição da autoria fotográfica, conforme Aline Lacerda já havia apontado em sua tese (baixe aqui).
O Digifoto e essa fototeca têm uma linha mestra comum: a idéia de montagem de um repositório digital que não fique sujeito à subjetiva interpretação de conteúdos da imagem, além da buscar estruturar a informação, apenas no que é pertinente, de acordo com a ISAD-g.
Os projetos se distiguem quanto ao foco arquivístico do tratamento da informação, uma vez que a fototeca mexicana está voltada para  as atividades de pesquisa histórica, visando a construção de um corpus documental, devidademente contextualizado quanto à sua produção histórica. As funções administrativas e arquivísticas, nesse caso não são postas em relevo, aspecto relevante para o Digifoto, na busca da constituição de séries tipológicas. O Digifoto propõe ainda, seguindo o método iconológico de Panofsky (baixe aqui artigo sobre essa questão), a decomposição do conteúdo em elementos pré iconográficos e iconográficos.
O mais interessante é que os projetos, apesar das diferenças, são bastante complementares. Em novembro de 2009 o Digifoto teve o privilégio de visitar o Instituto Mora e poder conversar com a equipe de pesquisa (Fernando Aguayo e Lordes Roca) e a equipe técnica da Fototeca Digital na busca de aproximação das duas propostas:
Acesse aqui a fototeca digital do Instituto Mora. Se preferir vá direto ao catálogo on-line.