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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Bases de dados e softwares com ênfase em materiais fotográficos de arquivo


O CEDOC (Centro de Documentação da UnB), no âmbito dos eventos que promoveu nesta semana (ver página do CEDOC aqui e nota da UnB aqui) trouxe para Brasília o Arquivista italiano Alessandro Chiaretti, que desenvolve trabalhos junto ao Centro Maas e à Associação de Archiveros de Chile (ASOCARCHI). 

Alessandro e as equipes técnicas do CEDOC e do GPAF têm tido, ao longo desta semana, diversas reuniões no sentido de avançar o desenvolvimento de uma solução para a gestão dos materiais fotográficos do CEDOC e sua respectiva divulgação na web (ver nota aqui). 

Dado o interesse do tema para os alunos ligados ao GPAF e ao GPAI/CPAI, a disciplina Tópicos Especiais em Organização da Informação – Turma A, Acervos Fotográficos, cód 382787, do PPGCINF/UnB convida a todos os interessados para participar da aula de amanhã (dia 13/dez) no CEDOC, às 14h15min, na qual Alessandro irá replicar os pontos essenciais de suas intervenções na UnB, focadas em questões relacionadas à Arquitetura da Informação de bases de dados, com ênfase em materiais fotográficos.

Palestra: "Bases de dados e softwares com ênfase em materiais fotográficos de arquivo"
Alessandro CHIARETI (Centro Maas - Itália / ASOCARCHI - Chile)
DIA 13/dez 14:15hs
CEDOC - UNB  (Predio do Multiuso I - Bloco B - Terreo e 1 andar Fones: (061) 3107-5863 / 3107-5801)

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Semelhanças de estilo e organização da informação

 
              foto 1: copiada de Library of Congress;                          foto 2: copiada de Digifotoweb

Ao olhar atentamente para as imagens acima é possível notar alguma equivalência na composição: um elemento no primeiro plano que tem a orla do mar e o horizonte como pano de fundo, criando uma certa ambiguidade quanto ao tema principal que pode ser tanto o mar como a canoa ou o cão. Águas calmas e céu enevoado com luminosidade difusa também são elementos comuns em ambas imagens. 

Não é necessário ser especialista em história da fotografia - e nem ter acesso aos documentos físicos originais - para compreender que as semelhanças param por aí e que há uma distância de cerca de 100 anos entre os dois registros fotográficos. O hábito de retratar orlas marinhas, no entanto, é anterior à própria invenção da fotografia e cria um estilo pictórico que sobrevive ainda hoje. Panofsky, entre outros estudiosos trabalharam com muito mais profundidade essa questão e ela não está no foco da análise atual. 

A organização de coleções fotográficas, como é tradicional - e até mesmo esperado - buscará dar a ambas as fotos o mesmo tratamento informacional; isto é: criar pontos de acesso à informação por autoria (fotógrafo), data, assunto, técnica e coleção. No primeiro caso, como se trata de instituição bem estruturada e com recursos, além dos mencionados pontos de acesso a informação está sistematizada em uma ficha no formato MARC. O segundo caso, com recursos adequados, também poderia ter o mesmo tratamento. 

Somente quem tiver uma perspectiva arquivística saberá que essas outras equivalências também param por aí e que o conhecimento detalhado e preciso de todas as informações mencionadas acima é insuficiente para a compreensão de tais registros como resultantes de atividades de um titular e preservados como provas desse mesmo titular. 

No primeiro caso, a ficha catalográfica da Library of Congress é incapaz de indicar os objetivos que levaram Arnold Genthe a fotografar aquela cena e tampouco os motivos que o fizeram querer guardar documento(s) resultante(s) de tal ato. Assumimos que sempre se tratou de uma tomada estética e que sua preservação relaciona-se à preservação de um objeto de arte. 

No segundo caso há, como conheço pessoalmente o fotógrafo pode-se imaginar que tais informações estão mais bem sistematizadas; ledo engano: apenas posso supor que Niraldo Nascimento produziu a imagem em uma atividade de lazer e a preservou (do ponto de vista arquivístico) como registro de um passeio a Marataízes, mas não posso afirmar isso com certeza e tampouco sei se é plausível entender que o documento original seja realmente arquivístico.

A diferença fundamental não está no conteúdo, no histórico e nem no tratamento dado ao documento original. O exemplo em questão traz ainda outra particularidade, que é a reciclagem de uma mesma informação, produzindo outro documento. A foto 2, nessa acepção, não deve ser entendida como uma foto da coleção/arquivo de Niraldo Nascimento, porém como parte da informação do próprio Digifotoweb, posto que ela é integrante de um texto publicado neste blog (e agora é integrante de dois textos). Essa perspectiva muda absolutamente tudo: não se trata mais da foto de Nascimento, o documento a ser organizado e descrito é o post. Arquivisticamente ele é parte do projeto Digifotoweb e está relacionado à função de promoção de esforços para consolidação de redes de pesquisa relacionadas aos acervos fotográficos. A autoria da informação imagética e os direitos quanto à imagem permanecem inalienáveis com  Niraldo Nascimento, mas o post, ainda que escrito também, pelo mesmo autor da fotografia, é produto do Digifotoweb. Ele é também, sob a ótica de quem o escreveu, ao mesmo tempo, produção intelectual e registros dessa mesma produção (pode até ser elencado no Lattes). 

Esse post atual, que traz a reprodução das fotos de Genthe e de Nascimento, mesmo sem ter os direitos autorais delas, deve ser entendido como resultado do projeto Digifotoweb, não sendo arquivisticamente adequado desmembrar partes de um documento (o post) em função dos elementos imagéticos constituintes.

Fica ainda repassada a dica do Prof. Murilo Bastos, que impulsionou essa reflexão: a Library of Congress mantém disponível a maior parte da coleção fotográfica de Arnold Genthe. São cerca de 16.000 imagens, de um total de 20.000, sendo que muitas delas podem ser baixadas gratuitamente: http://www.loc.gov/pictures/
collection/agc

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Contextualização Arquivística de Documentos Fotográficos

A imagem acima, de autoria de Benedito Duarte, integra o acervo do Arquivo de Negativos da Secretaria de Cultura de São Paulo (SAN). Uma visão conteúdista da imagem buscaria identificá-la junto ao seu fotógrafo e à cena retratada. O problema é que esse tipo de abordagem geralmente acaba por desprezar (não por intenção, porém por consequência) os dados contextuais de geração arquivística; ou seja, a mando de quem tal foto foi produzida e para quais finalidades administrativas? Além disso é vital entender os motivos pelos quais o documento foi preservado, isto é para o atendimento de quais  funções probatórias.


Tais pontos são a chave para uma melhor solução do desafio anterior, que será mais detidamente abordado no próximo post e estão presentes em uma situação real analisada em texto publicado na revista Alexandrí@;  Revista de Ciências de la Información de la Facultad de Letras y Ciencias Humanas de la Pontificia Universidad Católica del Perú (ISBNe 1991-1653). 

O artigo aborda a conceituação de documentos fotográficos de arquivo, os quais costumam ter seu sentido administrativo original adulterado quando são constituídas coleções de imagens não assumidas como tais. O ponto de partida é a situação concreta, ocorrida no SAN no final do século XX. A conclusão apresenta uma proposta, sob a ótica da Arquivologia, para que as características administrativas dos documentos fotográficos de arquivos possam se fazer presentes.

Acesse aqui a versão on-line do texto (demora um pouco para carregar). Se preferir baixe o artigo em PDF aqui.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Alguns softwares e plataformas web para registros imagéticos

Ao pensar em uma plataforma de arquivos para utilização no projeto “ Os Registros Imagéticos Como Estratégia de Comunicação e Sustentabilidade Cultural” ver link do projeto (acesse aqui),  iniciou-se uma pesquisa movida pela seguinte pergunta: Quais os tipos de softwares estão dispostos no mercado que atendam aos registros imagéticos e que abordem as normas nacionais e internacionais no qual sejam possíveis  a utilização pelas entidades culturais?

No entanto, foi pensado alguns requisitos para estes softwares e/ou plataformas:
- Ser open source;
- Possibilidade de utilização on line via WEB;
- A possibilidade tanto de uso inicial como conta/cliente Free;
- Poder fazer os testes e até adaptação para o uso específico na área dos registros imagéticos;
- Que tenham incorporados as normas arquivísticas nacionais e internacionais:
  • NOBRADE – Norma Brasileira de Descrição Arquivística
  • ISAD(G) – International Standard Archival Description
  • EAD – Encoded Archival Description
  • ISAAR – International Standard Archival Authorities Records (Corporate, Persons, Families).
Como resultado inicial podermos encontrar alguns softwares que contemplem alguns dos requisitos acima, um deles, o DIGITARQ é uma plataforma desenvolvida em conjunto pelo Arquivo Distrital do Porto, Direcção-Geral de Arquivos e Universidade do Minho, tem como objetivo a simplificação e optimização do trabalho num arquivo definitivo tanto ao nível operacional como ao nível da gestão.  Este, já estão sendo utilizados pelas autoridades Portuguesas através do PPA - Portal Português de Arquivo, no site, está sendo usado como plataforma de acesso web – tipo cliente/servidor, no entanto, através do site do DIGITARQ podemos conhecer um pouco de sua história e baixar uma versão monoposto. Ainda, há uma vantagem  de poder se utilizar de forma avançada e colaborativa. 

Agora, temos outro que é o SEPIADES, este, tem uma conotação mais voltada para registros imagéticos, pois os materiais fotográficos muitas vezes não são descritos em um nível em que as torne facilmente acessíveis aos usuários. Ainda, o interesse em coleções fotográficas também tem crescido nas últimas décadas e as coleções mantidas por bibliotecas, museus, arquivos e outras instituições de arquivo constituem um tesouro de informações sobre a história dos povos que precisam ser aberto para usuários e ser preservado para gerações futuras. Com isso, a digitalização dos materiais fotográficos em si é complexa, devido à grande variação de materiais e os diferentes requisitos dos usuários, e uma área em que poucas instituições ganharam experiência suficiente. É um software livre, desenvolvido pelo Instituto holandês dos serviços de informação científica (NIWI). Para conhecer o software SEPIADES e só acessar.  
Estes softwares já contam com uma série de artigos e tutorias publicados na internet que poderá auxiliar aos que tiverem interesse em conhecer   suas funcionalidades. Bem! Ainda estamos em fase inical de estudo das funcionalidades, assim que tivermos avançado traremos mais  informação sobre o DIGITARQ, SEPIADES e outros.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Documento fotográfico de arquivo ou coleção em instituição arquivística?


O hábito de tentar entender o conteúdo da imagem antes do contexto de produção arquivística pode levar a um grave mal entendido sobre a natureza dos documentos, com desdobramentos na organização técnica. A imagem acima, do Arquivo Nacional de Malta representa uma coleção de cópias digitais, recentemente doada pelo neto do fotógrafo. Como documento de arquivo, o documento fotográfico original pertenceria ao arquivo pessoal do fotógrafo, que, visitou Malta diversas vezes, em serviço, associado a alguma função relacionada a registros de viagem, ou algo similar. 

Hoje, no Arquivo de Malta, a imagem compõe uma coleção fotográfica, que tem buscado a colaboração de internautas para melhor contextualizar historicamente a cena e melhor entender o conteúdo da imagem. Se você for cadastrado no Facebook basta clicar aqui.

O procedimento não seria adequado no caso de um documento arquivístico, que deveria, em primeiro lugar, buscar informações sobre o contexto de produção e a função desempenhada no fundo de seu titular. Como não é mais o caso, o documento fotográfico perde importância para a informação histórica, evidenciada pelo registro imagético e o tratamento por conteúdo, típico das coleções, é totalmente adequado.

No Brasil, infelizmente, o que costuma se verificar é a infrutífera tentativa de dar tratamento arquivístico a fotografias de coleção, já descontextualizadas arquivísticamente, confundindo, em tal proceder, autoria intelectual com titularidade arquivística e potencialidade de uso histórico e cultural da informação visual com função arquivística.

domingo, 6 de junho de 2010

O poder da sugestão nas imagens fotográficas: nova charada


Muitas vezes nossa interpretação de significados de uma imagem é direcionada por fatores externos que sugestionam nossos sentidos. Outras vezes a própria perspectiva nos prega peças ou nos deixa confusos quando não é possível encontrar uma interpretação únivoca da imagem.

A charada proposta desta vez consiste em analisar a imagem abaixo:


a) proponha uma análise contextual do ponto de vista dos princípios da arquivologia;
                                                                                                                   
b) proponha uma descrição de conteúdos para o mesmo documento;

c) APÓS realizar os dois tópicos acima acesse o documento na íntegra ("caixa de bananas.pdf") e indique que alterações você faria em suas análises anteriores.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Aluno de IC do Digifoto publica artigo em periódico A2


A Iniciação Científica de Leandro de Melo Borges teve como resultado final um importante relato de experiência sobre o tratamento dado aos documentos fotográficos de arquivo pelo Centro de Documentação da UnB. O periódico é um dos mais conceituados da área de Ciência da Informação no Brasil, classificado no estrato A2 pelo sistema Qualis da CAPES. 

Resumo: 
O Centro de Documentação da Universidade de Brasília (Cedoc) é um órgão de assessoramento da administração superior da Universidade. Tem por finalidade recolher, preservar e garantir o acesso aos documentos arquivísticos de valor permanente, produzidos e acumulados pelas áreas meio e fim da UNB, bem como aos bens culturais e históricos, constituindo instrumento de apoio à administração, à cultura, à história e ao desenvolvimento científico e tecnológico. O artigo está limitado às fotografias oriundas do Decanato de Ensino de Graduação (DEG), constantes do acervo, verificando a adequação do tratamento desse material às diretrizes teórico-metodológicas da arquivologia. Foi percebido que o sistema configura-se de maneira a privilegiar o conteúdo das imagens, ao contrário do que se espera de um arquivo, onde o contexto arquivístico deveria ser ponto primordial para a organização e descrição das fotografias.

Referência e acesso:
LOPEZ, A., BORGES, L. Uma visão arquivística sobre os documentos fotográficos referentes ao decanato de ensino de graduação presentes no acervo do Centro de Documentação da Universidade de Brasília. Ciência da Informação, Brasília, DF, Brasil, v. 38, n. 3, p.160-176, set./dez. 2009. Disponível aqui.

Recomenda-se que o artigo seja cotejado com o projeto inicial de pesquisa (baixar aqui).

O que é o sistema Qualis?
O sistema Qualis visa estabelecer níveis de qualidade dos diversos periódicos para análise quantitativa da produção científica brasileira. As críticas a essa atribuição de valores, como parâmetro predominante para a avaliação dos programas de pós-graduação é muito criticada. Existem inúmeros artigos, blogs, ensaios etc. que condenam esse sistema (ver aqui um exemplo). Os periódicos científicos estão divididos em três categorias (A, B e C), sendo que a primeira apresenta apenas 2 estratos (A1 e A2), a segunda 5 estratos (B1, B2, B3, b4 e B5) e na última, nenhum estrato. Os periódicos classificados como C têm pontuação igual a zero. Os demais têm a pontuação definida por cada área da pós-graduação. Em Ciência da Informação só existe um periódico classificado no extrato máximo, A1 (Library Trends, USA). No segundo estrato, A2 a lista também é restrita para a CI, com apenas 3 periódicos nacionais, um deles é a revista "Ciência da Informação", onde o artigo foi publicado. É uma revista que tem critérios muito rigorosos para avaliação de artigos e é tão concorrida que está fechada para novas submissões desde setembro de 2009.

Ilustrações de Maurits Cornelis Escher 
(o "patrono" da MCEbyte)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Fototeca Digital Fotógrafos y Editores Franceses en México

A coleção digital feita pela equipe de pesquisadores do Instituto Mora representa uma tentativa muito interessante de montagem de um repositório fotográfico que, além das imagens e suas descrições temáticas trata ainda dados relativos aos forográfos e aos históricos de cada coleção. A descrição e a organização das informações segue, no que é possível, as diretrizes da ISAD-g. O tradicional resumo da imagem é abandonado e, em lugar dele, entram dados técnicos e uma miniatura fotográfica. Como se tratam de coleções, os dados relativos ao contexto de produção arquivístico não são sistematicamente evidenciados e, quando é o caso, são indicados no histórico do conjunto. Outro ponto bastante importante na solução mexicana foi a decomposição da autoria fotográfica, conforme Aline Lacerda já havia apontado em sua tese (baixe aqui).
O Digifoto e essa fototeca têm uma linha mestra comum: a idéia de montagem de um repositório digital que não fique sujeito à subjetiva interpretação de conteúdos da imagem, além da buscar estruturar a informação, apenas no que é pertinente, de acordo com a ISAD-g.
Os projetos se distiguem quanto ao foco arquivístico do tratamento da informação, uma vez que a fototeca mexicana está voltada para  as atividades de pesquisa histórica, visando a construção de um corpus documental, devidademente contextualizado quanto à sua produção histórica. As funções administrativas e arquivísticas, nesse caso não são postas em relevo, aspecto relevante para o Digifoto, na busca da constituição de séries tipológicas. O Digifoto propõe ainda, seguindo o método iconológico de Panofsky (baixe aqui artigo sobre essa questão), a decomposição do conteúdo em elementos pré iconográficos e iconográficos.
O mais interessante é que os projetos, apesar das diferenças, são bastante complementares. Em novembro de 2009 o Digifoto teve o privilégio de visitar o Instituto Mora e poder conversar com a equipe de pesquisa (Fernando Aguayo e Lordes Roca) e a equipe técnica da Fototeca Digital na busca de aproximação das duas propostas:
Acesse aqui a fototeca digital do Instituto Mora. Se preferir vá direto ao catálogo on-line.