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quarta-feira, 5 de março de 2014

Crónicas sobre imaginarios culturales


La memorización según nos explica Ricoeur en el texto La memoria, la historia, el olvido (2003:83), nos permite entender los usos y los abusos de un proceso donde imperan ideologías dominantes en las que los seres humanos fueron inscritos en una serie de saberes, destrezas y posibilidades de hacer mediante la educación, la religión y la vida en sociedad. Frente a esto cabe la pregunta, si se trata de imposición, de hegemonía cultural, ¿qué sentido tiene recordar?

Más informaciones acá, en el Blog del GPAF

Por Luis Carlos Toro 
(coordinador del grupo de estudios interdisciplinario Memoria y Sociedad)

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Grupo Memoria y Sociedad


O trabalho documental com registros fotográficos sempre perpassa aspectos relacionados à estética (pelas questões visuais) e a memória (por conta dos registros documentais, sejam arquivos, coleções etc.). O grupo de estudos interdisciplinar "Memoria y Sociedad", quer  ampliar o escopo da discussão sobre memória e direitos humanos para outras áreas do saber, tais como Estudos Culturais Contemporâneos, Arquivologia, Nova História Cultural, Artes, Estética...

Leia mais no Blog do GPAF em:  


terça-feira, 30 de julho de 2013

¿Que ciudad soy yo?

Há alguns símbolos que emblematicamente identificam cidades muito específicas no mundo, como por exemplo a Torre Eifel, a Estátua da Liberdade,  o Cristo Redentor, a Torre de Pisa, o Coliseo etc. Outros símbolos buscam, por vezes serem associados a uma cidade ou mesmo um país. 

Os símbolos reproduzidos acima são de autoria de um dos mais importantes aristas uruguaios de todos os tempos cujos motivos geométricos e a configuração fracionada e proporcional dos espaços pictóricos são encontrados em diferentes referencias artísticas, estéticas e publicitárias em vários locais de Montevideo e, consequentemente, traduzidos como símbolos identificadores e/ou definidores de uma cultura uruguaia, intelectual, no nível de uma identidade nacional. 

Em outros locais como, por exemplo, o estado do Espírito Santo (Brasil), uma comida específica feita de um determinado modo é considerado como um patrimônio cultural imaterial, característico do capixaba. A moqueca capixaba, além de unicamente levar azeite como gordura, agrega coentro, tomate, cebola, colorau e o peixe e/ou fruto do mar da variedade a ser servida. Outra característica marcante dessa iguaria é o fato de ter que ser feita, necessariamente em panelas de barro de Goiabeiras, cujo modo de confecção, materiais  utilizados e a transmissão de tal saber fazem parte do primeiro patrimônio imaterial tombado no Brasil.

O desafio da charada atual consiste em identificar em que cidade foram tiradas as duas fotos abaixo:



As melhores respostas concorrerão a um mini dulce de leche, muy típico del país de la ciudad fotografiada arriba.

Serão consideradas válidas as respostas postadas nos comments até 24 hs após a publicação do próximo post.

Caso você ainda não tenha resolvido o problema, é possível que as duas fotos abaixo tragam pistas e informações suficientes e definitivas:

sábado, 25 de maio de 2013

Sugerencia cinematográfica


Unas de las mejores películas que he visto últimamente. esencial para quien trabaja con fotografía (especialmente con fotos de archivo); fundamental para quien esta preocupado con los derechos humanos y obligatoria para todos los hermanos de Argentina. La trama es casi que de novela negra, como si fuera un thriller en slow motion , con un ritmo de camera increíblemente lento, hecho a propósito para que se pueda apreciar la impecable fotografía; perfecta en los detalles de color, proporción de elementos, líneas, luz y perspectivas. Una película muy inteligente que no ofrece ninguna respuesta obvia, ni al final.

terça-feira, 12 de março de 2013

Retratos de prisioneiros no Brasil

Reproduzo aqui texto assinado por Talita Lopes Cavalcante, sobre Imagens Históricas, publicado em comunidade do Facebook de mesmo nome.

Um dos primeiros retratos de prisioneiros no Brasil, 1872.

As fotografias, desde seu advento, garantem o processo de formação da memória histórica e da identidade nacional e pessoal. Contudo, após anos de cartazes descrevendo apenas as características de fugitivos e presos, a fotografia foi introduzida como controle de Estado na Casa de Correção pelo estudioso em craneologia, Almeida Valle.

Finalmente em 1872, Valle dera conta de fotografar todos os prisioneiros da Casa de Correção, unindo os trezentos e vinte e quatro retratos em um álbum que ficou conhecido como "Galeria dos Condenados" ( exposto ao público na Exposição Universal da Philadelphia, de 1876, sob os auspícios de Pedro II, amante da fotografia), o primeiro registro prisional no país.

- Curiosidade acerca da imagem:

Na Galeria dos Condenados encontra-se o registro de Isabel Jacintha da Silva, escrava altiva e bela.

Condenada em 1846 por matar seu senhor (Jacintho José da Silva) envenenado, Isabel iniciou uma busca por seus direitos, alegando inocência. O envenenamento dos senhores pelos escravos era prática relativamente comum, uma vez que a liberdade lhes era dada por testamento. Dessa forma, após a morte do senhor, os escravos estariam livres. Assim, a prática de envenenamento acabou recebendo um artigo próprio no Código Criminal do Império, “ter o delinqüente cometido o crime com veneno, incêndio ou inundação” (Código Criminal, art. 16, 1830).

No caso de Isabel, ao que tudo indica, mantinha relações cordiais com seu senhor, pois portava seu sobrenome e faria jus à liberdade, como se livre tivesse sido desde o nascimento, tão logo seu proprietário viesse a falecer, fato que constituiu argumento decisivo para a formação de sua culpa. Em sua defesa, entretanto, alegou:
"que meu irmão me catucara que eu dissesse que tinha sido eu; eu fui e caí na asneira, na patetice de dizer que era eu; mas não fiz nada do que disse. Depois caí em mim, pus-me a imaginar. Eu não saía de casa, como é que havia de fazer isso?"
Isabel não foi condenada à pena de morte, mas sua pena foi de prisão perpétua com trabalho. O mesmo crime de homicídio, supostamente por ela cometido, com auxílio de seu irmão, era punido com pena de 12 anos de prisão e multa proporcional, para os demais criminosos, ou seja, os homens e mulheres livres. A Galeria dos Condenados expõe inúmeros casos como esse. 

Ainda que condenada, Isabel foi notável em suas tentativas de graça, alegando inocência em todos os tribunais, se utilizando de argumentos e provas de que era, de fato, inocente.

- Curiosidade [2]:
No mencionado álbum, encontramos apenas duas mulheres, entre as 324 fotografias: Isabel Jacintha e Generosa Maria de Jesus. A primeira, escrava, a segunda, livre. O álbum, em duas versões, pertence ao acervo da Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional, Coleção Dona Theresa Cristina.

Referências:
THIESEN, Icléia. A Casa de Correção da Corte e a fotografia identificatória (1859-1876). R. IHGB, Rio de Janeiro, 167 (430): 179-198, jan./mar. 2006.
KOSSOY, Boris. Um olhar sobre o Brasil: A fotografia na construção da imagem da nação (1833 - 2003). 1° edição. São Paulo: Fundación Mapfre e Editora Objetiva, 2012. p. 81.
THIESEN, Icléia. Informação identificatória, memória institucional e conhecimento - Isabel Jacintha da Silva, de cativa à prisioneira na Casa de Correção da Corte. LERASS – Laboratoire d’Études et de Recherches Appliquées en Sciences Sociales.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Imagem de Bin Laden morto

Rene Magritte - Le sens propre- IV
(copiado de Mark Young's  Series Magritte)
Osama Bin Laden está morto. É o que dizem. A despeito das inúmeras informações divulgadas na mídia, confirmadas pela Al Quaeda -- que seria a grande interessada em desmenti-la --, a dúvida ainda paira no ar, em função da não divulgação de uma foto do corpo de Osama Bin Laden.

Copiado de Geração de 60
Em 1967 a morte do maior ícone político produzido após a Segunda Guerra mundial foi fartamente documentada, em termos fotográficos. A qualidade de "prova do real" atribuída ao registro do fato foi decisiva para a ampla divulgação das imagens, feita com o fito de consumar na opinião pública a morte do guerrilheiro e, com isso (ao lado de um fortíssimo esquema de repressão), supostamente, desestimular a proliferação de seguidores. O convencimento operado pela exibição do troféu foi eficiente a ponto de, com a morte do herói, criar-se o mito, que tem como referencial imagético a célebre imagem de Korda, hoje vulgarizada até em produtos de moda e publicidade.
                         Copiado de Socialist Party                                      Copiado de G1

Copiado de Darryl Wolk
Em 2006 a invasão do Iraque, e a subsequente captura de Saddan Hussein, foi fartamente documentada pelos mass media. O problema da destinação a ser dada pela coalizão estadunidense ao ex-aliado (promovido a ditador) tornou-se uma questão mais sensível. Como eliminar o ilustre prisioneiro de guerra, de modo documentado, sem correr o risco de criar um novo mito (o que era o ponto mais sensível)? A solução encontrada foi a divulgação de uma "acidental" imagem feita por telefone celular, que serviu para "comprovar" a morte de Saddan, com caráter semi-oficial.

Hoje, novamente um inimigo dos Estados Unidos foi executado, porém os elementos comprobatórios dados à opinião pública são insuficientes para que a efetividade da ação seja unimanente reconhecida (tanto como efetiva, ou como legítima). O atributo da fotografia como "prova do real", mesmo em uma realidade abertamente reconhecida como photoshopável, continua presente. As demandas por uma imagem definitiva vêm de diferentes origens:
  • mórbidos de plantão, ávidos por sangue; 
  • ultranacionalistas de direita, sedentos por um troféu; 
  • o público mediodre de telenoticiários, incapaz de aceitar uma notícia sem ilustrações; 
  • analistas internacionais, vigilantes da conformidade dos procedimentos adotados pelos Seals;
  • seguidores de Bin Laden, a busca de uma imagem que possa ser fundadora de nova mitologia. 

Copiado de Revolutionary Program
A imagem oficial do acompanhamento da execução da Operação Tridente de Netuno pela alta cúpula do governo estadunidense não tem surtido o efeito exigido por uma fotografia conclusiva, a despeito de Hillary Clinton ter dito que foram os "38 minutos mais intensos" da vida dela (mesmo já tendo sido primeira dama por 8 anos).

O movimento de divulgação de imagens de inimigos do Estado Unidos mortos passou de uma política de ostensividade, nos anos 1960, para uma "acidental" discrição em 2006. Atualmente, a menos que alguma imagem da execução de Bin Laden "vaze", "sem querer", a postura tem sido a da censura, em uma atitude surreal, à Magritte:
Montagem de André Lopez

domingo, 9 de janeiro de 2011

Espaços de imagens

Excertos de beijos cortados na trama de Cinema Paridiso

Alguém consegue imaginar o que seria, nos dias de hoje ficar sem acesso à Internet, sem poder buscar imagens ali? Tudo bem, há ainda opções nos arquivos da HD do computador doméstico, no pendrive, no celular etc. Antes da portabilização e da subsequente virtualização das imagens a experiência da fruição visual (e audiovisual) sempre se dava nos locais públicos: galerias de arte, museus e cinemas, além de exposições públicas, audições, apresentações etc. Outra diferença é que, necessariamente, as pessoas tinham que se deslocarem para tal experiência. Com o advento da televisão a necessidade de deslocamento e a coletivização da experiência foram reduzidas. Porém a TV, superando o pessimismo da época de sua popularização, não matou nem o teatro e nem o cinema. Porque? Porque referem-se a experimentações e  a necessidades distintas. 

Hoje muitas pessoas conseguem ver a "Monalisa" sem sair de casa. Dizem que o que se vê no Louvre (quando se vê devido à fila) é apenas uma reprodução e que alguns estudiosos da obra tem feito descobertas muito interessantes através de observação remota, de cópias digitalizadas (ver notícia aqui). Nem por isso o Louvre vai deixar de ser o museu mais visitado do mundo. Alguém consegue imaginar, em sã consciência,   que o Louvre, por economia, ou por melhor aproveitamento de espaço imobiliário, poderia algum dia deixar de ser um (ou melhor, "o") museu? Tecnicamente a coisa não seria complicada. Bastaria transferir todo o acervo para um galpão novo (com condições técnicas de preservação modernas e ideais) em uma área menos valorizada nos subúrbios de Paris ou mesmo no interior da França e disponiblizar o acesso a todo o acervo virtualmente. Já imaginaram quanto não valeria, só o seu terreno em Paris, para a construção de apartamentos de luxo? Ou, quem sabe, arrendar o edifício para um super shopping center, com cinemas e terminais para acesso virtual ao "novo" Louvre?

Picasso antes de morrer exigiu em seu testamento que seu quadro mais importante, "Guernica", só pudesse retornar à Espanha depois da morte do general franscisco franco [minúsculas intencioinais]. Sua obra já era reproduzida pelos quatro cantos do planeta desde antes da revolução tecnológica da informática. Cópias dela estão, em diferentes tamanhos formatos e tamanhos; pôsteres, painéis, camisetas etc. Mesmo assim a experiência de poder vê-la, frente a frente, no museu Reina Sofia, em Madrid, é extasiante. O "Grito do Ipiranga", de Pedro Américo está exaustivamente reproduzido em pelo menos 90% dos livros didáticos que tratam do episódio. Mesmo assim, todos os anos, milhares de alunos das escolas públicas de São Paulo vão ao Museu do Ipiranga para, in loco, fruir a obra de arte. O dia mais concorrido? Obviamente, 7 de setembro.

Do mesmo modo que o absurdo pesadelo pensado para o Louvre jamais se concretizaria, não dá para crer verossímil a desocupação do edifício do Reina Sofia, sob um possível pretexto de que já existem milhares de cópias de "Guernica" espalhadas por aí. Tampouco poder-se-ia imaginar a ocupação do prédio do Museu do Ipiranga para qualquer outra finalidade. Quem sabe poderia ser usado como uma escola, conforme era seu projeto original, ou como sede da Prefeitura de São Paulo, que passaria a ter um edifício mais imponente do que o Palácio dos Bandeirantes. Justificativas não faltariam, como, por exemplo, o fato de a obra de Pedro Américo já ter sido demasiadamente utilizada pelos livros didáticos e excessivamente difundida na época da Ditadura (até no filme com o Tarcísio Meira). Afinal, quem se dispõe a reescrever Monteiro Lobato, porque ele seria racista (ou contra as cotas raciais nas universidades?) pode muito bem esvaziar o peso e a importância de um Pedro Américo ou pensar em especulação imobiliária com o edifício do Museu Paulista.

Se as três situações acima parecem absurdas é porque nossa cultura e nossa sociedade valoriza não apenas as obras de fruição cultural, como também o espaço de tais obras. Edifícios famosos do mundo todo, mesmo sem espetáculo algum são sempre visitados. Tanto o Carnegie Hall nos USA, como o Teatro Colón na Argentina não são primores arquitetônicos e nem sempre têm grandes obras em cartaz, mesmo assim são visitados e constituem parte da memória urbana, não pela atuação que têm hoje, mas pelo o que representaram desde o passado. O Coliseum deveria ter um tratamento similar ao que se dá hoje para o Museu do Appartheid ou para o campo de Auschwitz: local de dor sofrimento e matança. Mesmo assim é parte fundamental do patrimônio histórico e cultural de toda a civilização romano-cristã.

A história do cinema de arte no Brasil, começou em São Paulo no Cine Belas Artes. O edifício chegou a abrigar, no auge, seis salas de exibição e foi o responsável pelo lançamento da maioria dos grande filmes não-holywoodianos no Brasil até a década de 1980. Pegou fogo, passou por reformas e continuou. O Cine Belas Artes tem para a história da divulgação do cinema de arte no Brasil (guardadas as devidas proporções) a mesma envergadura que, para as belas artes, um Louvre; para o acervo de Picasso, um Reina Sofia; ou, para a história do Brasil, um Museu do Ipiranga. Infelizmente, a situação atual do cinema faz com que as hipóteses aventadas para a eliminação dos três museus estejam longe de serem despropositadas. Após 68 anos, devido a questões de cunho imobiliário, o cinema deverá fechar suas portas até o final de janeiro de 2011. 

Assim como esse blog, muito cineastas e personalidades estão se mobilizando. 

Existe, entre outras coisas, um abaixo assinado. Quem tiver interesse pode acessá-lo aqui. Ainda dá tempo. Quem sabe podemos utilizar o poder das ferramentas virtuais a nosso favor. Obama conseguiu. Assine aqui!


Acesse aqui o blog "oficial" do movimento pela manutenção do desse cinema: "Eu quero Cine Belas Artes aqui!"

Acesse aqui coluna de Carlos Reicheinbach, cineasta, pedindo tombamento do Cine Belas Artes.

Para conhecer um pouco mais sobre a história do cinema de arte em São Paulo, baixe aqui publicação sobre seu criador.

Acesse aqui programa de 2003 em homenagem ao cinema de arte de São Paulo. Por ele é possível ter uma idéia da magnitude dos filmes exibidos no Belas Artes.

Baixe aqui cartaz de divulgação daquele ciclo.

Não esqueça de continuar essa corrente.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A imagem do rei


Quanto mais distante da população e de seus pares internacionais um governante se encontra mais necessário é a fixação de uma normatização visual que além de o identificar também o legitime como autoridade máxima. A brilhante sacada de Ettore Scola en "La nuit de Varennes", na qual a tirana é identificada por verossimilhança com o busto gravado em uma moeda, continua sendo muito utilizada, ainda hoje, em papel moeda. Mesmo no Brasil do século XXI, e em outros países, o expediente da "foto oficial", a ser colocada nas repartições públicas ajuda a cumprir as funções de aproximar, identificar e legitimar a pessoa do governante. Na Coréia do Norte tais funções expandem-se (ou voltam-se prioritariamente) para a comunidade externa. Do obscuro jogo político travado nos bastidores de um regime fechado muito pouco se sabe e, menos ainda, quem são os atores políticos principais e que feições têm. Antes mesmo do resultado final das eleições estadonidenses e antes da "foto oficial" de Obama, o mundo já conhecia o rosto do futuro govertante, ainda que a Sarah Palin tivesse sido vitoriosa. A "foto oficial" amplamente difundida pelo governo nortecoreano no mês passado (ver notícia aqui) revela a verdadeira face da monarquia familiar e apresenta para o exterior a nova composição dos principais cargos do regime. Se os egípcios, por medo do tempo que tudo deteriora, desenvolveram sofisticadas técnicas de preservação da imagem (e do próprio corpo) do governante, o mundo atual, da circulação em massa de informações pela Internet, quase que instantaneamente eternizou a cara de um regime que mal começou. Resta saber se no futuro tais informações imagéticas ainda estarão disponíveis e se serão corretamente identificadas. Não deverá ser mais difícil do que recompor o nariz da Esfínge de Gizé para identificar uma possível feição de Faraó.




segunda-feira, 12 de julho de 2010

Espanha é campeã da copa 2010... Espanha?



A imagem acima provavelmente passou desapercebida do espectador brasileiro, porém, certamente, foi muito bem notada pelos espanhóis, principalmente pelos catalães. A bandeira da Catalunya e a taça,  empunhadas pelo jogador Puyol têm um efeito simbólico muito grande no complexo cenário dos imaginários nacionais da Espanha. A imagem, como informação, pode ser portadora de uma carga simbólica muito forte. Tais imagens-símbolos costumam ser reproduzidas em inúmeros documentos na tentativa de afirmação dos ideais nelas identificados. 

É importante que ao lidar com documentos imagéticos sejamos capazes de diferenciar as imagens (informação) dos documentos que as contém. Na reprodução acima temos várias imagens, mais abstratas, ou menos, porém nenhuma concreta e, de algum modo conflitantes: a vitória (representada pela taça), a Catalunya (representada por sua bandeira), a Espanha (representada por seu jogador) etc. Para tantas imagens (que valem mais do que 1.000 palavras) temos apenas um documento: este post, fruto de meu interesse acadêmico. Um documento com texto e imagem articuladas. 

A imagem, como informação independente de um documento pode ter múltiplos desdobramentos e influências. Podem ser mentais, podem impulsionar "imaginários" políticos e podem ser incorporadas a suportes, constituindo documentos para que tenham maior funcionalidade. A imagem de Puyol com a copa e a bandeira catalã provavelmente será transposta para posteres, camisetas, blogs etc. Longe dos debates, ao menos para mim fica a satisfação de ver que o melhor futebol triunfou.


Mesmo antes da decisão (e antes da comemoração de Puyol) alguns jornais brasileiros já apontavam a tensa relação Espanha-Catalunya no plano simbólico da copa do mundo, com alguns desdobramentos nada simbólicos (veja aqui reportagem do Correio Braziliense). Algumas imagens desempenharam papel crucial no estabelecimento, manutenção ou desarticulação de ordens políticas e sociais, como nos mostra o livro de Tomás Pérez Vejo sobre as guerras de independência ocorridas na América espanhola. Será que a forte imagem do jogador catalão terá maiores desdobramentos, no plano simbólico, no acirrado e histórico embate do nacionalismo espanhol?