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domingo, 22 de setembro de 2013

Dupla participação de Bia Kushnir na UnB

Beatriz Kushnir, (ver Lattes aqui) pesquisadora do GPAF e Diretora Diretora do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro estará em Brasília na próxima 4ªf para duas atividades:

1. Participação da banca de relatório intermediário de mestrado da pesquisa "Estruturação de acervos imagéticos e acesso à informação: estudo comparativo de instituições de memória no Chile e na Argentina" de Laila Di Pietro.
Resumo: A preservação da memória, além de um direito humano, é uma obrigação da própria sociedade, que deve se estruturar para organizar e conservar os acervos documentais que garantem esse processo. O documento fotográfico é representativo e possui valor testemunhal. A massa de fotografias sobre as épocas de repressão nos diversos países da América do Sul se constitui como importante elemento de prova de violações dos direitos humanos e condutas de regimes militares, contribuindo para novas narrativas da história nacional. A organização, o tratamento e a preservação destes acervos visam o acesso à memória social, evidenciando os laços identitários. A pesquisa tem como objetivo a análise das estruturas de organização aplicadas a documentos que possuem grande valor histórico e contribuem para o exercício da cidadania e para a construção da memória coletiva e individual. Para a pesquisa, serão adotados os acervos fotográficos de quatro instituições de memória que apresentam diferentes características de acervo, armazenamento e apresentação: Museo de la Memoria y Derechos Humanos (Chile); Fundación Vicaria de La Solidariedad (Chile); Londres 38 (Chile) e Memoria Abierta (Argentina). A organização utilizada pelos centros de informação será analisada a partir de entrevistas coordenadas, visitas ao museu e através das informações disponibilizadas na web, identificando os princípios e técnicas empregados para garantir a manutenção da autenticidade da informação original, além de sua preservação, recuperação, difusão e acesso. 
Palavras-chave: Acervo imagético. Acesso à informação. Arquivologia. Biblioteconomia. Fotografia. Memória.
Dia 25/09/2013 - 15:00hs no Auditório da FCI

2. Palestra para o curso de Arquivologia da UnB:
Experiências profissionais na direção do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro
Dia 25/09/2013 - 19:00hs no Auditório da FCI

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Registro da visita-debate da turma "Imaginando"


Na sexta-feira, dia 06/set, a turma da disciplina "Imaginando" (Seminários e, organização da informação) da pós-graduação em Ciência da Informação fez uma visita-debate coletiva, à mostra fotográfica "Ausênc_as Brasil" de Gustavo Germano (ver post aqui).

Ausênc_as Brasil estabelece um diálogo entre o passado e o presente, alinhando imagens de militantes políticos mortos e desaparecidos pelas ditaduras Militares do Brasil e da Argentina no seio de seus familiares e as imagens dos familiares registrando suas ausências, destacando a força da afetividade e da memória dos acontecimentos.

Gustavo Germano é um fotógrafo Argentino, ele que foi familiar de detido e desaparecido político. A mostra é rica pela possibilidade da participação dos familiares dos mortos e desaparecidos que abriram seus álbuns fotográficos e se expuseram em sua dor e sofrimento, partilhando com a sociedade suas imagens e de seus entes que se foram. A aula foi muito proveitosa e nos fez refletir, não apenas pelo momento que passaram os atores, mas sobre a possibilidade de interpretação e o sentido da fotografia.


O verdadeiro conteúdo de uma fotografia é invisível.
Porque não deriva de uma relação com a forma, mas
sim com o tempo.
John Berger


Algumas fotos da visita-debate estão disponíveis aqui.


Texto e fotos: Alessandra Araújo

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Gustavo Germano em Brasília

 

Nesta 6ªf, dia 06/set, às 14:30 a turma da disciplina "Imaginando" (Seminários e, organização da informação) da pós-graduação em Ciência da Informação fará uma visita-debate coletiva, à exposição "Ausencias", de Gustavo Germano, estando os interessados convidados a se integrar ao grupo (veja post aqui para entender o que é essa disciplina).

O artista trabalha com uma mensagem política muito contundente, construía pelo não-uso de elementos visuais; é isso mesmo a força elocutória de sua mensagem está naquilo que não é fotografado. As ausências são evidenciadas por meio de fotos comparativas, como é o caso, para exemplificar, da imagem de duas irmãs, que representa o desaparecimento de uma delas no período ditatorial argentino. Na primeira, em uma foto de arquivo pessoal, ambas posam junto a um vaso de flores, que está sobre um aparador. Na segunda, feita 26 anos depois, repete-se a cena, desta vez somente com a irmã sobrevivente e, detalhe importante, sem as flores; as legendas com ausências ainda contribuem para evidenciar a mensagem (veja as fotos desse exemplo aqui no DigifotoWeb).

Já que na página do Museu Nacional da República (que era para ser Museu Nacional Honestino Guimarães) não há nenhum destaque à exposição de Gustavo Germano (apenas a coloca, sem nenhuma informação na agenda da instituição), fomos buscar na imprensa hermana a nota de divulgação da exposição atual. O blog DigifotoWeb foi, provavelmente, o primeiro veículo brasileiro a por em evidencia o trabalho do fotógrafo argentino, como pode ser visto em post anterior aqui, há exatos três anos e meio. 

A exposição estará aberta à visitação no Museu Nacional da República, em Brasília, até o dia 30/set, de 3ª a Dom, das 09:00hs às 18:30hs. 

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Nova turma IMAGINANDO

"Imaginação" - cc André Malverdes 2013
A foto acima é um auto-retrato produzido após o final de uma turma concentrada de Imaginando, realizada em julho/2013, na UFES, com alunos de doutorado (ver post aqui e página aqui). Ela bem retrata o esforço criativo, as imagens produzidas e, principalmente, a necessidade de flexibilidade e concentração mental para debater, repensar e solidificar conceitos através da produção de imagens.

A metodologia foi desenvolvida inicialmente por um grupo de professores da Universidad Complutense de Madrid (baixe aqui livro referente ao projeto) e replicada no âmbito do GPAF pela primeira vez em 2012, com a colaboração da Prof. Antonia Salvador Benitez (ver posts aqui e aqui; ver página aqui), culminando com a apresentação de um poster sobre essa experiência no WICI (baixar pdf aqui). 

A turma atual já teve uma aula introdutória na semana passada e iniciará, efetivamente, os trabalhos na 6ªf, dia 06/setembro, devendo realizar as seguintes atividades;

O programa da disciplina (baixe aqui) contém uma bibliografia sumária sobre a questão dos acervos fotográficos e algum material de referência e discussão conceitual sobre os tópicos principais que serão abordados. 

O publico externo à disciplina está convidado a acompanhar o desenrolar da disciplina por este blog, lendo, opinando e produzindo imagens-conceito e, no caso de interessados residentes em Brasília, comparecer às aulas (favor entrar em contato prévio com apalopez@gmail.com).

Alea jacta est!

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Nova oportunidade IMAGINANDO

Clique aqui para fazer download do pdf do poster (1,9Mb)

Na semana que se iniciará agora será feita uma nova aplicação da metodologia imaginando com os alunos de doutorado do DINTER/UnB-UFES. O programa e as orientações gerais estão em pagina específica (aqui). Para o primeiro encontor é fundamental que os participantes tomem conhecimento do projeto, lendo o material de referência indicado (especialmente o livro coordendo por J Miguel Sanchéz Vigil, http://apalopez.info/GPAF/IMAGINANDO_texto_color.pdf) e já tragam alguma compreensão relativa aos conceitos que serão trabalhados.

Outro insumo fundamental será a produção de imagens pelos participantes, para o que é fundamental trazar algum equipamento capaz de produzir fotos digitais (telefone, câmera, ipad etc.), sempre lembrando que quanto melhor for a qualidade do equipamento, melhor aproveitamento se poderá ter das imagens.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Concluímos a primeira colheita da safra 2013 de titulações de mestrado do GPAF!

Banca examinadora de Patrícia Costa
No primeiro trimestre de 2013, três participantes do Grupo de Pesquisa Acervos Fotográficos (GPAF) concluiram seus mestrados e apresentaram dissertações relacionadas ao tema:

27/02/2013 - Luiz Carlos Flôres de Assumpção
Título:  Registros imagéticos e a sustentabilidade: representações sobre o uso da imagem em projetos de captação de recursos em grupos de quadrilhas Juninas do DF.

11/03/2013 - Patrícia de Jesus Ferreira Costa
Título: O Paradigma físico no tratamento dos acervos imagéticos na Administração pública brasileira: estudo de caso da ANA.

12/03/2013 - Alessandra dos Santos Araújo
TTítulo: O uso da folksonomia na organização e recuperação da informação fotográfica: o caso do acervo da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura - CONTAG.

Banca examinadora de Alessandra Araújo
Em breve os trabalhos estarão disponíveis para consulta.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Bases de dados e softwares com ênfase em materiais fotográficos de arquivo


O CEDOC (Centro de Documentação da UnB), no âmbito dos eventos que promoveu nesta semana (ver página do CEDOC aqui e nota da UnB aqui) trouxe para Brasília o Arquivista italiano Alessandro Chiaretti, que desenvolve trabalhos junto ao Centro Maas e à Associação de Archiveros de Chile (ASOCARCHI). 

Alessandro e as equipes técnicas do CEDOC e do GPAF têm tido, ao longo desta semana, diversas reuniões no sentido de avançar o desenvolvimento de uma solução para a gestão dos materiais fotográficos do CEDOC e sua respectiva divulgação na web (ver nota aqui). 

Dado o interesse do tema para os alunos ligados ao GPAF e ao GPAI/CPAI, a disciplina Tópicos Especiais em Organização da Informação – Turma A, Acervos Fotográficos, cód 382787, do PPGCINF/UnB convida a todos os interessados para participar da aula de amanhã (dia 13/dez) no CEDOC, às 14h15min, na qual Alessandro irá replicar os pontos essenciais de suas intervenções na UnB, focadas em questões relacionadas à Arquitetura da Informação de bases de dados, com ênfase em materiais fotográficos.

Palestra: "Bases de dados e softwares com ênfase em materiais fotográficos de arquivo"
Alessandro CHIARETI (Centro Maas - Itália / ASOCARCHI - Chile)
DIA 13/dez 14:15hs
CEDOC - UNB  (Predio do Multiuso I - Bloco B - Terreo e 1 andar Fones: (061) 3107-5863 / 3107-5801)

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Começou!

Copiado de Sala de Física
Hoje pela tarde, com palestra da Profa. Antonia Salvador da UCM, foi dado início à disciplina de tópicos especiais relacionada aos acervos fotográficos. Nosso próximo encontro está marcado para as 19:00hs (pontualmente) no CEDOC/UnB (veja google map aqui). Por favor cheguem mais cedo para não se perderem.

Todos os alunos (inclusive os que perderam a conferência de abertura) DEVEM produzir fotografias/imagens sobre o conceito de ARQUIVO e o de COLEÇÃO. As imagens devem:
  • ser originais de autoria do aluno (não vale recortar e colar da web)
  • estar identificadas na ficha descritiva que deverá ser entregue FISICAMENTE no começo da aula (uma ficha para cada imagem)
  • ter resolução mínima de 300 dpi.
Maiores detalhes podem ser vistos na página específica da disciplina neste blog (clique aqui). Ali pode-se ter acesso ao cronograma, à ficha descritiva, à explicação do programa etc.

O exposto acima também se aplica aos eventuais candidatos a aluno especial.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Disciplina com professor estrangeiro

Copiado de Biblioteca Complutense

A disciplina Tópicos Especiais em Organização da Informação – Turma A, Acervos Fotográficos, cód 382787 terá inicio amanhã às 14:00hs, dia 25/10, no auditório da FCI com palestra internacional da Profa. Antonia Salvador Benitez da Universidad Complutense de Madrid. A disciplina será ofertada de modo concentrado com aulas às 5ªs de tarde e às 2ªs, 3ªs e 4ªs de noite, de modo que não será necessário avançar por janeiro para o cumprimento da carga horária. A palestra de amanhã representa a aula inaugural da disciplina e está aberta a todos os interessados.

terça-feira, 17 de julho de 2012

BLOG SALAS DE CINEMA DO ES É NOTÍCIA


O blog http://salasdecinemadoes.blogspot.com.br/ foi matéria do Jornal A Gazeta e já renderam contribuições de imagens e depoimentos. Até o momento já foram 760 acessos e 7 países (Alemanha, EUA, Portugal, Angola, India, Rússia e Argentina).
Além disso, o projeto de pesquisa foi contemplado pelo edital 32/2012 do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo – FUNCULTURA, referente a Projetos Culturais e Concessão de Prêmio para Inventário, Conservação e Reprodução de Acervos no Estado do Espírito Santo, isso será muito importante no tratamento da informação e a ampliação das fontes disponíveis no acervo que será depositado após o tratamento no Arquivo Público Estadual do ES e disponibilizado pela Internet.

A proposta é organizar um inventário analítico do acervo que é 100% digital e compreende fotografias, entrevistas registradas em audiovisual, notícias de jornais e revistas, além de documentos de arquivos público e privados. O objetivo é que o arquivo custodiado no APEES e disponibilizado pelo Blog possibilite ampliarmos o acervo e encontrarmos mais registros das 200 salas (aproximadamente) de exibição cinematográfica que funcionaram no estado do ES.

Esse projeto de pesquisa é um trabalho do Doutorado Interinstitucional Unb-UFES, na linha de pesquisa Organização da Informação, Grupo Acervos Fotográficos e conta com a orientação do Prof. André Porto Ancona Lopez.

sábado, 7 de julho de 2012

Blog Salas de Cinema Capixaba


Boa tarde,

Quem conheceu ou quer conhecer as salas de cinema que formaram a cinelândia capixaba podem visitar o blog http://salasdecinemadoes.blogspot.com.br/.

Todos ainda tem a oportunidade de colaborarem com novas fontes, comentários e na identificação das imagens e bibliografia.

...
Um grande abraço.

André Malverdes

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Coleção de documentos imagéticos de Formiga (MG): iniciando com uma charada

Foto: coleção de Cleber Antônio Oliveira. Formiga (MG). s.d.

Através de minha amiga Aldina Soares (a quem agradeço), que postou uma foto antiga sobre Formiga (MG), conheci, no Facebook, o Cleber Antônio Oliveira, detentor de uma enorme coleção de cerca de seis mil fotos antigas*, algumas delas, muito significativas, da Rede Mineira de Viação, tema de meu projeto de doutorado. Vide aqui.


Isso provocou um redirecionamento em minha pesquisa de campo. Há que se compreender que meu projeto não se restringe a fotografias de locomotivas e estações de trem, importantes sem dúvida, mas busca sua organicidade no período econômico, social, político e cultural no qual esse meio de transporte era um dos mais importantes, principalmente para o deslocamento de passageiros e, diferentes recursos materiais em longa distância.



Assim, o acervo de Cleber, contempla um primeiro desafio de classificação desse vasto material dentro das normas que permitam sua preservação digital e fácil recuperação e um segundo, que é o de estabelecer ligações entre os documentos imagéticos da ferrovia e os que se relacionam a ele e seus vieses já citados. Em resumo, se encaixa perfeitamente dentro das propostas do DIGIFOTOWEB e poderá constituir-se em valioso patrimônio futuro.



Porém, antes de adentrar em conceitos metodológicos mais profundos, gostaria de propor uma pequena “charada” a partir de uma foto um tanto curiosa, postada por ele e debatida com também meu recente amigo, Isaac Ribeiro, mestre em história pela Universidade Federal de São João del Rey. Ambos se propuseram a fazer uma pesquisa sobre uma curiosidade presente na imagem e já indicaram o caminho correto. Certamente, irão encontrar, assim espero, os elementos reveladores dessa “charada” e mais do isso, poderão contextualizar o documento em termos de sua organicidade arquivística (iconológica), embora a curiosidade pertença ao campo da iconografia (conteúdo da imagem).



Lançado o desafio, aguardarei comentários, primeiro daqueles que conseguirem identificar a “curiosidade” expressa no documento. Segundo, e já agradecendo, quem tenha conhecimento de tal fenômeno e possa contribuir para sua elucidação, especialmente com outros exemplos, ou tendências da época.



* Apenas uma pequena parcela das fotos está presente nos álbuns de Cleber no Facebook.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Organização de acervo imagético: Arquivologia X Biblioteconomia




Os acervos imagéticos são comumente organizados a partir das técnicas existentes na Biblioteconomia, com foco nas informações encontradas a partir da imagem. A utilização da indexação de assuntos para o armazenamento e recuperação de fotografias em uma biblioteca de imagens parece suprir as necessidades desse modelo de centro de informação, uma vez que abrange diversas possibilidades de interpretação do conteúdo da imagem. Qual seria a contribuição, então, da organização de acervos fotográficos a partir de teorias da Arquivologia, como a Diplomática e a Tipologia Documental?

As coleções de bibliotecas têm como função principal o insumo, ou seja, a reutilização da informação para diversos fins, independente de seu contexto de produção. Para a Arquivologia, porém, a principal função de um acervo é a prova do cumprimento das atividades institucionais, tendo como base as relações de proveniência e contexto de produção.

Uma das contribuições para uma coleção de fotografias de uma análise Diplomática, que identifica os aspectos formais do documento e Tipológica, que consiste na “ampliação da Diplomática em direção à gênese documental” (BELLOTTO, 2002), ao conhecimento por parte do bibliotecário da real intenção da fotografia, facilitando o reconhecimento das imagens contidas no item.

A foto acima, por exemplo, seria indexada por um profissional da Biblioteconomia a partir de termos como: igreja, religião católica, praça, entre outros. Caso esse profissional não conseguisse, apenas com a foto, reconhecer a localidade onde está situada esta igreja, não seria possível a inserção dos termos que identificasse esse aspecto. Com as informações obtidas a partir das análises Diplomática e Tipológica, essa informação estaria preservada junto ao documento, e seria possível, neste caso, incluir termos que ligasse esse item à cidade de Jundiaí e outras informações importantes.

Comentário: Esse post tem como intenção iniciar uma discussão sobre os inúmeros benefícios do trabalho em conjunto dos profissionais da informação, pretendendo apenas expor um aspecto relevante da situação proposta.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Reflexão sobre características da Diplomática em documentos audiovisuais


A Diplomática identifica nos documentos as características formais que os definem. As análises de materiais não convencionais, hoje realizadas muitas vezes não permitem identificar dados típicos da Diplomática tradicional, tais como protocolos iniciais e finais. O desafio a ser enfrentado pela Diplomática especial perpassa a adaptação dos elementos tradicionais na análise dos documentos contemporâneos. Nossa preocupação relaciona-se aos registros imagéticos e audiovisuais. O material audiovisual pode ser armazenado de diversas formas, em vários formatos e diferentes suportes. A facilidade que temos hoje de manipular uma imagem de vídeo, permite que a mesma imagem em movimento seja parte integrante de diferentes arquivos ou bibliotecas. 

A análise e organização de informação de tais documentos carece de maiores definições conceituais quanto aos seus elementos constitutivos. Por exemplo: em um documento textual a identificação do protocolo e escatocolo não costuma ser problemática, mas como é que fica essa questão em um programa de telejornal? Quais seriam o protocolo e escatocolo do telejornal? Se uma empresa de telecomunicação armazena sua produção jornalística na íntegra, ou seja, com todas as partes que identificam o programa jornalístico que veiculou aquelas notícias (abertura do programa e créditos), é possível facilmente detectar características de protocolo inicial e final. Quando são armazenadas as mesmas imagens em seu formato "bruto", o seja, sem as edições finais do programa, tais características não são encontradas.

Para uma visão mais geral dessa questão veja vídeo sobre pesquisa de graduação realizada por Laila Di Pietro aqui e/ou baixe o trabalho completo a partir daqui.

______________
Laila Di Pietro e André Lopez

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

As construções etéreas de Brasília nas fotos de Marcel Gautherot

Fonte: copiado de http://bit.ly/aFfGEP

Marcel Gautherot me foi apresentado por Flávia Portela, arquiteta e amiga de Brasília, em uma única foto no Facebook e que ilustra o título desse post. Se for mais popular do que imaginava, vou logo confessando minha ignorância, mas a foto me chamou a atenção por ser diferente de todas as outras sobre essa tema, que já havia visto de outros fotógrafos.

Essa foto de Gautherot é instigante porque, em um primeiro momento, confere aos prédios em construção da Esplanada dos Ministérios uma sensação de etéreo, utilizando para isso a farta poeira que abundava nos canteiros de obras, fato que comentarei mais adiante.

Como é peculiar, ou melhor, recomendado pelos estudos iconológicos, fui a busca do autor com as famosas questões: a) Quem ou qual instituição solicitou essas imagens?; b) Quando e com que objetivo?; c) Por que foram preservadas e catalogadas pelo  Instituo Moreira Sales - IMS? É importante ressaltar que esse post se atém a não mais que duas  fotografias de Guautherot e, propositalmente, de uma questão muito específica, já citada no título: o etéreo.

Marcel Gautherot, nasceu em Paris, em 1910 e faleceu no Rio de Janeiro em 1996. Filho de pais pobres, mãe operária e pai pedreiro, em 1936 participa do grupo que seria responsável pela instalação do Musée de l”Homme onde é encarregado de catalogar as peças do museu, começando aí a se dedicar à fotografia. Chegou ao Brasil em 1939, supostamente influenciado pela leitura do romance Jubiabá de Jorge Amado, configurando um "convite" para conhecer um país de terras tropicais e afastado do ambiente do pós-guerra.
Tendo fixado residência no Rio de Janeiro, entra em contato com parte da elite intelectual brasileira (Carlos Drummond, Mário de Andrade, Lúcio Costa, Burle Marx, entre outros). 

Começa a fazer trabalhos de fotografia para o SPHAN, o Museu do Folclore e trabalha para a revista "O Cruzeiro". Durante sua existência, viajou por 18 estados brasileiros, constituindo um acervo de cerca de 25.000 negativos, fotografando não apenas a arquitetura mais a cultura e diversidade do povo brasileiro, acervo hoje pertencentes ao IMS.

Sobre sua experiência em Brasília, relatam Andréa Cristina Silva e Leila Beatriz Ribeiro:
"Em meados dos anos 50, a convite de Niemeyer e contratado pela NOVACAP (Companhia Urbanizadora da Nova Capital), Gautherot passa a documentar a construção de Brasília. Momento alto de sua trajetória e de sua criação como fotógrafo, as imagens de Brasília atestam o nascimento de uma nova cidade, desde o começo, até sua inauguração. Com a Rolleiflex em punho e um olhar fotográfico extremamente refinado e elegante, o francês registrou o nascimento das obras monumentais de Niemeyer e a execução paulatina do plano piloto de Lúcio Costa como num imenso making off da construção. No conjunto das imagens de Brasília podemos perceber como a arquitetura surge do vasto chão para se tornar o belo, o diferente, o monumental".

A frase final das autoras é o mote para iniciar a discussão das fotos de Gautherot: "a arquitetura surge do vasto chão". Tomado em essência, não deixa de ser uma realidade, mas o que o fotógrafo realiza, intencionalmente (ou não) é justamente essa ruptura com a engenharia, que já galgava graus de modernidade. Para tanto, utiliza a já citada farta poeira presente na construção da nova capital para "encobrir" essa sensação lógica e linear, conferindo à imagem uma perturbadora e bela sensação de do etério, do impermanente, da incerteza.

Ao examinar a imagem, a sensação que tenho é justamente da ausência de sustentabilidade, algo que confere dúvida: o que transmite vigor e segurança em construções (ou até mesmo em um trabalho acadêmico) são suas bases. Sem elas, ou se tem uma obra com a impressão de de que não será concluída ou de que a o peso dos andares superiores rechaçarão os andares inferiores, transformando tudo em ruínas.

Há outra foto que parece confirmar a "intencionalidade" de Gautherot em utilizar a poeira para "minar" as bases das construções, reproduzida a seguir. Nela, fica quase evidente que o fotógrafo aguardou a passagem de um veículo, no caso uma caminhonete, para levantar a "poeira" necessária para captar a imagem no seu momento oportuno.



Fonte: copiado de http://bit.ly/aFfGEP

Se falarmos de acervo, acredito que  essas duas imagens estejam corretamente classificadas dentro do acervo da construção Brasília, de Marcel Gautherot, pelo IMS. O que questiono é, se presentes em tantas que ilustram livros das obras da capital, principalmente de Niemeyer, apresentadas no Brasil e exterior, passaram pelo "crivo" do mesmo e seus assessores.

De profundo valor estético, em minha opinião, contradizem, ou mo mínimo, provocam certo "mal estar", não apenas na concepção arquitetônica desafiadora e quase "violenta" dos traços de Niemeyer imposta aos engenheiros da época, como na campanha nacionalista formada em torno da construção da nova capital.

Há muito que se comentar sobre Marcel Gautherot. Incógnitos e crassos erros fotográficos que poderiam ter sido eliminados (ex.: na foto da caminhonete há uma placa cortada pela metade), e não vou citar todos agora para não estender a polêmica. Há, também, curiosas similaridades que encontrei com fotos de Sebastião Salgado, futuros questionamentos a serem dirigidos a esse último, em outra ocasião.

*Niraldo Nascimento é Doutorando em Ciência da Informação (UnB) 
na linha de Pesquisa de Acervos Fotográficos

Referências: 
SILVA, Andréa C, RIBEIRO, Leila B. Ribeiro. Imagens do silêncio, imagens silenciadas – Marcel Gautherot e a construção de Brasília XXII Encontro de História - Anpuh/RJ. Disponível em <http://www.encontro2008.rj.anpuh.org/resources/content/anais/1213108979_ARQUIVO_ANDREALEILA.pdf> Acesso em 21/02/2012.
Brasília por Gautherot. Olhar sobre o mundo. Disponível em <http://blogs.estadao.com.br/olhar-sobre-o-mundo/brasilia-por-gautherot/> Acesso em fevereiro de 2012.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Estamos de volta - ganhe um alfajor se resolver a charada fotográfica

Após uma merecida pausa este blog volta à ativa com um desafio: as fotos adiante fazem parte de meu arquivo pessoal e integram um mesmo conjunto relativo aos registros fotográficos de minhas férias de 2012 na Argentina.


O desafio consiste em tentar organizar e descrever as fotos acima levando em consideração seu contexto de produção, do qual já se sabe o seguinte:

  • Fundo: pessoal de André Lopez.
  • Função: registro de passeio de férias.
  • Local: Argentina, grande Buenos Aires.
  • Data: janeiro 2012.
  • Fotógrafo: André Porto Ancona Lopez.
  • Guarda: permanente.
  • Quantidade de imagens do conjunto: aproximadamente 350.
O desafio é obrigatório para todos meus orientandos (atuais, futuros e pretensos futuros), com prazo até 05/12/2012. 

A melhor resposta de Brasília (de orientando ou não), postada dentro do prazo, ganhará um delicioso alfajor. Se o vencedor for de fora de Brasília, fico devendo um café no nosso próximo encontro.

As respostas devem ser postadas no campo comment abaixo. 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Pesquisa: Rede Mineira de Viação (RMV, "Ruim, mas vai"): 1931-1953

DIMENSÕES INFORMACIONAIS DE DOCUMENTOS IMAGÉTICOS DO TRANSPORTE FERROVIÁRIO NO BRASIL: 
o caso da Rede Mineira de Viação (1931 – 1953)

Niraldo J. Nascimento - Doutorado (2011-2014)
Orientador: Prof. Dr. André Porto Ancona Lopez
Linha de Pesquisa: Organização da Informação
Grupo de Pesquisa: Acervos Fotográficos
Faculdade de Ciência da Informação 
Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCINF)

Resumo
Pesquisa, análise crítica, descrição e contextualização dos documentos imagéticos relacionados ao transporte ferroviário da Rede Mineira de Viação, de 1931 a 1953, especialmente fotografias, sua organicidade e recuperação em arquivos institucionais ou particulares à luz do contexto social-econômico, político e cultural. Como resultado, pretende-se a construção de uma base de dados de documentos imagéticos que reflita, em termos arquivísticos, o tema e período escolhidos, e que se configure como memória e fonte de pesquisa histórica.
Estação da RMV - 1948. Monte Carmelo (MG)
Objetivo Geral
Pesquisar e analisar os documentos imagéticos e seus arquivos institucionais e pessoais sobre a Rede Mineira de Viação, no período de 1931 a 1953, conhecida popularmente como "Ruim mas vai", de modo a realizar uma descrição crítica dos acervos e sua contextualização com os aspectos sócio-econômicos, políticos e culturais vivenciados pelo país no período citado.

Objetivos Específicos
Antigo mapa da malha ferroviária de MG
a) Recuperação da malha rodoviária da RMV e georeferenciamento de seus principais troncos e localidades;
b) Identificar os principais acervos de documentos imagéticos que compõem a história da Rede Mineira de Viação e realizar seu respectivo georeferenciamento;
c) Analisar os documentos e sua organização nos diferentes acervos, físicos ou digitais (suporte), institucionais ou pessoais e realizar uma análise crítica dos mesmos à luz das teorias e metodologias arquivísticas selecionadas;
d) Verificar se os documentos imagéticos e seus respectivos acervos têm representatividade com os aspectos sócio-econômicos, políticos e culturais do período;
e) Resgatar, através de entrevistas pessoais com os principais agentes e/ou seus familiares, a memória do período e contrapô-la à descrição dos documentos imagéticos existentes;
f) Compor uma descrição associada da documentação imagética e dos acervos com o contexto dos mesmos, dentro de uma perspectiva iconográfica e iconológica, compondo uma base de dados computadorizada.

Metodologia
RMV - Viagem a Caxambu (1934)
A pesquisa pretende fazer um percurso pelo tempo e espaço dos documentos imagéticos, tempo esse definido pelo período delimitado e, o espaço, representado em três abordagens diferentes: identificação do espaço geográfico (físico) percorrido pela RMV, o espaço cibernético (virtual) dos acervos e coleções e, finalmente, o espaço físico dos acervos e agentes ligados ao tema, caracterizando uma pesquisa in loco. Tal percurso, corresponde igualmente, à caracterização do universo da pesquisa, sujeito aos recortes que se fizerem necessários.
Estação da RMV em Santa Rita do Jacutinga (MG)
RMV - Ponte sobre o Rio Verde - Soledade de Minas (MG)
  • Delineamento do desenvolvimento da rede física da RMV. Para isso será realizada uma pesquisa histórica dos mapas geográficos existentes adotando as metodologias que se fizerem necessárias;
  • Identificação na Web, com base na área geográfica delineada, dos principais acervos virtuais disponíveis;
  • Identificação e descrição dos documentos imagéticos disponíveis;
  • Identificação, com base na área geográfica delineada, dos principais acervos físicos disponíveis;
  • Levantamento do contexto sócio-econômico, político e cultural do período, através de pesquisa documental, adotando as metodologias que se fizerem necessárias;
  • Visita, in loco, aos principais acervos e coleções, registro fotográfico dos mesmos e digitalização dos documentos mais relevantes;
  • Concomitante ao procedimento descrito no item anterior será realizada uma pesquisa com os agentes humanos envolvidos de forma a mapear narrativas que contribuam para a descrição dos documentos imagéticos.
Produto Final
Imagem meramente ilustrativa da ideia do BD
O produto final será a criação da base de dados computadorizada dos documentos imagéticos georreferenciados e referendados pela pesquisa.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

WICI discutirá temáticas relacionadas às fotografias


O já tradicional evento do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da UnB deste ano terá uma especial atenção para o universo das fotografias. A palestra de abertura contará com a presença do coordenador do grupo de trabalho do Conselho Internacional de Arquivos sobre arquivos fotográficos e audiovisuais - PAAG (ver aqui), o diretor do Arquivo de Girona (Catalunya) Joan Boadas. A palestra de encerramento terá como convidada Isabel Wschebor do Arquivo Municipal de Montevideo e também pesquisadora do PAAG. O Grupo de pesquisa Acervos Fotográficos (GPAF) ainda promoverá uma reunião aberta, que contará com a presença dos ilustres convidados.

O 7º WICI é aberto para o público em geral, sem necessidade de inscrições. Além disso, contará com transmissão on-line em tempo real, para os demais interessados. Maiores informações (bem como o acesso à TV-WICI) podem ser obtidas diretamente aqui.

Atenção para as datas e horários dos eventos de maior interesse para os participantes deste blog:

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Fotografia e aura

A aura da fotografia x a aura na fotografia

por Keitty Cruz* 

No texto, pequena história da fotografia, Walter Benjamin aborda o tema aura da fotografia. O que seria isso? Seria o mesmo que aura na fotografia? A aura é definida como é um elemento imaterial, que emana e envolve seres ou objetos e é também, por vezes, considerada como um atributo inerente aos seres vivos, segundo várias religiões e tradições esotéricas.  Para Benjamin (1993), a aura é uma “figura singular, composta de elementos espaciais e temporais: a aparição única de uma coisa distante, por mais próxima que ela esteja” (p. 101). O autor considera a aura como um instante, um momento capturado de maneira intrigante em uma imagem.
Observar, em repouso, numa tarde de verão, uma cadeia de montanhas no horizonte, ou um galho, que projeta sua sombra sobre nós, até que o instante ou a hora participem de sua manifestação, significa respirar a aura dessa montanha, desse galho. (p. 101)
Um exemplo de fotógrafo que conseguiu captar a aura da fotografia é Eugène Atget. Para Benjamin (1993), as fotografias de Atget “sugam a aura da realidade como uma bomba suga a água de um navio que afunda” (p.101).

"Marchand d'herbes, place Saint-Médard" (1898). Copiado de

Já a aura na fotografia se trata de uma temática diferente da abordada por Benjamin (1993), é um assunto místico. Fotografar a aura de um ser humano, significa registrar o campo energético que envolve seu corpo. Essa técnica surgiu em 1940, quando Semyon Kirlian e sua esposa Valentina Kirlian criaram uma máquina fotográfica capaz de fotografar a aura humana. Acredita-se que, com esse tipo de fotografia, é possível diagnosticar o estado de saúde físico e emocional das pessoas fotografadas. De acordo com o site misteriosantigos.com,”as colorações básicas encontradas na foto da aura são: vermelho, azul, amarelo e verde”. O diagnóstico vem a partir da interação das variedades e intensidade das cores, pois “a aura varia de intensidade e de cores conforme os estados psicológicos, orgânicos, emocionais e espirituais das pessoas”. 
Copiado de Foto Kirllian
Portanto, a aura da fotografia e a aura na fotografia são temáticas diferentes. A primeira se relaciona com a habilidade de tirar fotografias interessantes, e a segunda está relacionada com aspectos místicos de captura do estado da energia que cerca o objeto fotografado.

* Mestranda em Ciência da Informação/UnB
Lattes: http://lattes.cnpq.br/8137011279067297
Referências: